De Angola, reflexões sobre o Ensino a Distância, antes e durante a pandemia

29/07/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Aurélio Júlio Lucamba (Universidade do Minho)

 

 

De Angola, reflexões sobre o Ensino a Distância, antes e durante a pandemia 

Entrevista internacional concedida ao portal de jornalismo Potiguar Notícias por Aurélio Júlio Lucamba, Doutorando em Ciências da Educação, especialidade de Tecnologia Educativa pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho, em Braga/Portugal, com o projeto de tese intitulado “Blended Learning: Contributos para a sua implementação aa Escola Superior Pedagógica do Cunene – Angola”. O entrevistado é professor na Escola Superior Pedagógica do Cunene (Angola) e, cursando doutoramento no Instituto de Educação da Universidade do Minho, é também pesquisador do Centro de Investigação em Educação. Nesta entrevista fala sobre o Ensino a Distância, antes e durante a pandemia em Angola, entendendo que para a implementação da modalidade híbrida (b-learning), que recomenda para Angola, “o desafio é grande e o caminho é longo!”. Considera que se tem feito algo para este propósito aproveitando o contexto da experiência educativa durante esta pandemia, referindo o decreto presidencial que, tendo o objetivo de garantir a qualidade de ensino, veio a reconhecer a importância do Ensino a Distância porque possibilita o alcance de maior equidade no acesso a informações de alto valor para a aprendizagem e beneficia muitos educandos que, de outra forma, não acederiam a esses materiais.

1. Qual é o comportamento de Angola e dos angolanos antes e durante a fase da pandemia no que tange ao processo de ensino-aprendizagem?

Nos últimos meses temos assistido a várias e profundas alterações no desafio de transmitir em condições conteúdos pedagógicos aos alunos. Para materialização deste processo passou-se por muitas etapas, um pouco burocráticas por causa de assuntos políticos e económicos no país. Felizmente, temos agora a dizer que todo processo de Ensino a Distância está automatizado à luz do decreto presidencial angolano Nº 59/20 datado de 3 de março, do ano em curso, com o objetivo de garantir a qualidade de ensino e minimizar o impacto de contaminação face a pandemia. Desta feita, atualmente as organizações escolares têm vindo a aderir, enfatizar e, concomitante, associar a metodologia híbrida, comumente designada de b-learning, para complementaridade do ensino presencial.

2. Como doutorando que está a desenvolver um projeto de doutoramento que fundamenta a modalidade b-learning, que desafios é que essa modalidade exige em Angola?

Na verdade, o desafio é grande e o caminho é longo! Mas, temos feito alguma coisa para este propósito. Estamos destacados na província que geograficamente se situa mais a Sul do país (Angola) propriamente na província do Cunene, onde temos levado a cabo a nossa investigação intitulada “Blended Learning: Contributos para a Sua Implementação Na Escola Superior Pedagógica do Cunene – Angola”, na qual temos desenvolvido um conjunto de atividades com recursos tecnológicos, utilizando vários sistemas digitais para auxiliar o ensino presencial nas instituições.

3. Qual é a ligação ou impacto que pode ter a aprovação do decreto presidencial face à sua pesquisa, neste tempo de isolamento social?

A adaptabilidade no manuseamento de dados que se impõem a utilizar por meio de plataformas oferecem um enorme potencial, constituindo uma fonte de novos conhecimentos. No entanto, a aprovação do decreto presidencial veio dar impacto aos nossos trabalhos, pois combina com objetivos de que a implementação do Ensino a Distância é importante porque possibilita o alcance de maior equidade no acesso a informações de alto valor para a aprendizagem e beneficia muitos educandos nos seus acessos e descarregamentos (downloads) de diversos materiais, que, de outra forma, não poderiam aceder.

4. Tem havido formação para uso das tecnologias no processo de Ensino a Distância, dirigida a professores e a estudantes?

Os Institutos Superiores do Sul de Angola (ISSA) têm contribuído significativamente no setor da educação na região sul do país, nomeadamente na formação de professores, mas essas formações têm resultado algo monótonas, mormente pela falta do uso das TIC, que, como sabemos, são ferramentas dinamizadoras de uma comunicação educativa mais interativa. Neste processo, havia uma segregação por partes dos alunos que, tendo a sua formação escolar totalmente online, alegavam ter poucas competências digitais para operar no online. Felizmente este obstáculo está a ser superado face ao momento que vivemos, devido a uma prática mais intensa.

5. A concluir esta entrevista, que mensagem enviaria aos estudantes angolanos, e também de outros países, face a este momento de pandemia?

Em gestos conclusivos apelo a todos os estudantes afetados com a Covid-19 à utilização das tecnologias digitais, cada vez mais frequentes no meio acadêmico, pois elas constituem um potencial influente que serve como uma “mola impulsionadora” indispensável para integração na sociedade da informação e do conhecimento.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

Fonte: Aurélio Júlio Lucamba (Universidade do Minho)