Do Chile, reflexões sobre a educação profissional em saúde em tempo pandêmico

24/07/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (UMinho)
Foto: Gustavo Fernández Díaz (CFT PUCV - Centro de Formación Técnica de la Pontifice Universidad Católica de Valparaíso)

Entrevista com Gustavo Fernández Díaz: “Do Chile, reflexões sobre a educação profissional em saúde em tempo pandêmico

Entrevista internacional concedida por Gustavo Fernández Díaz ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. O entrevistado é professor do Centro de Formación Técnica - Pontifícia Universidad Católica de Valparaíso – Carreira Técnica de Nível Superior em Enfermagem, no Chile. Na entrevista fala-nos da experiência educativa chilena em contexto de pandemia, da transição das atividades académicas para o espaço virtual, das orientações e obstáculos havidos, bem como das evidências de uma maior adesão ao trabalho autônomo por parte dos estudantes. Para o futuro, destaca a importância de antecipar os próximos processos e que educação deve assumir um papel decisivo na maneira de proceder. Esta improvisação, verificada agora, deixou marcas profundas nas instituições e na comunidade educativa (famílias, estudantes, professores, acadêmicos e funcionários administrativos) que sofreu as consequências. Por isso, entende ser importante haver líderes nas altas esferas de educação e nas instituições de educação com um olhar prospectivo, inovador, flexível e com foco na gestão de situações de crises.

(A entrevista, realizada integralmente no idioma espanhol, conforme segue no final, foi traduzida para a língua portuguesa pelos autores da entrevista). 

1. Como você vê a atividade docente no contexto da Pandemia?

Para contextualizar pertenço a uma instituição com uma oferta acadêmica em sua totalidade com formação técnica profissional em que o curso não dura mais do que cinco semestres, atrelado ao benefício da gratuidade, o que leva a um volume significativo de alunos estudando, sendo, em sua maioria, estudantes socialmente e economicamente vulneráveis.  Muitos deles são profissionais de primeira geração em suas famílias, então, não é apenas uma aspiração pessoal, é a família ansiando por lacunas sociais estreitas. Portanto, nossa responsabilidade como acadêmico é alta, pois dentro da formação dos alunos lidamos com a constante ameaça de abandono desse aluno que deve lidar com a desigualdade social permanente.

Tendo esse histórico em consideração, a carga horária é elevada em termos de planejamento, adesão de aulas e processos avaliativos, ao mesmo tempo que se observa a importância do acompanhamento de cada aluno, uma vez que a desmotivação vem se aprofundando tanto no aluno quanto no professor e se deve à Pandemia.

No meu caso particular, sou coordenador acadêmico e sou responsável por uma carreira que forma Técnicos em Enfermagem no Mais Alto Nível (TENS) que é equivalente em muitos países como "Paramedico". Portanto, o desafio é ainda maior, pois não tenho professores justamente com conhecimento em pedagogia, exceto por alguns casos, mas é muito minoritário, o que faz com que o trabalho constante de apoio ao professor em sala virtual, e fora dela, seja concreto no exercício de um ensino ligado ao desenvolvimento de habilidades nos alunos em vez de simplesmente transferir conhecimento, dando ênfase ao feedback do aluno, já que estamos constantemente fazendo ajustes em nossos métodos de aprendizagem. Isso se tornou complexo, pois a virtualização completa de nossas aulas e os processos de adaptação para o professor não estavam em nossos planos, foi muito breve, o que torna seu trabalho e compromisso na implementação dos currículos muito meritórios. Particularmente nos módulos que temos para avaliar as competências da prática processual, o desafio tem sido maior, entendendo que a demonstração de técnicas é um aspecto essencial para fazer o TENS, sob este argumento o apelo para as carreiras que formam futuros profissionais de saúde tem sido para inovar incansavelmente.

Do ponto de vista da oportunidade é um momento muito bom para ouvir os professores, gerar as mudanças e atualizações necessárias para fortalecer os currículos e aprender com a forma como nossos alunos aprimoram sua aprendizagem através do uso da tecnologia.

 

2. Qual é a sua visão objetiva da situação social e econômica para o futuro em seu país?

No plano social, a transformação digital é um fato, por isso é importante estabelecer políticas estatais eficazes sobre o direito à conectividade universal, em especial o que é o acesso à internet, essa é uma mudança permanente no ensino superior e é necessário estabelecer garantias mínimas para oferecer uma educação de qualidade.

O distanciamento social permanecerá por um bom tempo circulando em nossas comunidades, gerando mudanças culturais e sociais, o que nos forçará a continuar a melhorar as aulas virtuais e igualar a qualidade das aulas virtuais versus as presenciais.

 3. Que transformações vê no ensino presencial relacionadas ao uso de novas tecnologias e ao aspecto do comportamento social dos alunos por causa do isolamento social obrigatório em 2020?

Há evidências de maior adesão ao trabalho autônomo de cada estudante em torno de seu processo de aprendizagem, isso resultou em sala de aula virtual no cumprimento de tarefas ou atuação, preocupação em se conectar às aulas, mas também se evidenciou na organização de seu horário de estudo e elaboração de trabalhos ou atividades,  hábitos na organização dos tempos de estudo, relacionados à informação, não ficou apenas com o que o professor diz, o estudante teve que recorrer à depuração na busca de informações, o que significou participação ativa em aulas virtuais, processo que nas aulas presenciais muitas vezes não acontecia.

Nesse cenário, a tecnologia, em particular os navegadores da web, têm sido o complemento perfeito para o estudante, que teve que aprender a usar esses recursos corretamente.

4. Que orientações foram dadas às instituições de ensino para a implementação de aulas online diante das contingências causadas pela pandemia? Está de acordo com essas orientações?

Principalmente, as orientações atuais estão focadas no acompanhamento de todos os estudantes, especialmente pelo alto grau de estresse e incapacidade emocional causado pela preocupação permanente do COVID-19 e pelas reprercussões na saúde das famílias e no impacto econômico, que levou ao desemprego para muitas famílias de nossos estudantes.

Esse acompanhamento é dado em colaboração das unidades acadêmicas que cumprem principalmente o papel de detecção daqueles estudantes que necessitam de apoio acadêmico, emocional e econômico. Esta equipe é formada pela Vice-Reitora Académica, Coordenação Académica e Docentes. O acompanhamento e intervenção desses casos é feito pela Direção de Assuntos Estudantis, que é fundamental para dar orientação e apoio tanto à área acadêmica e, fundamentalmente, aos estudantes, proporcionando acesso à internet, tablets, atendimento psicológico remoto e orientação de benefícios por parte dos assistentes sociais. Por isso, é uma grande equipe de trabalho coordenado constantemente cuidando das necessidades do contingenciamento.

No entanto, no contexto atual há muito trabalho a ser realizado por parte das instituições de educação no apoio psicoemocional e possível burnout de professores e equipe acadêmica, tanto devido à alta demanda quanto às exigências de trabalho, misturadas com cada situação dentro do nível familiar em particular.

Isso vai ter consequências e pode prejudicar o trabalho para o segundo semestre deste ano.

5. Gostaria de comentar um ponto específico sobre atividade acadêmica, pandemia, política, economia e sociedade?

Apenas para destacar a importância de antecipar os próximos processos, especialmente os desafios que estamos enfrentando como sociedade do ponto de vista da saúde. A educação deve assumir um papel decisivo na maneira de proceder, desde este momento até daqui a mais dois ou três anos. A improvisação deixou as instituições paradas e aqueles que sofreram as consequências são a comunidade educativa que compreende as famílias, estudantes, professores, acadêmicos e funcionários administrativos.

Por isso, é importante haver líderes nas altas esferas de educação e nas instituições de educação, com um olhar prospectivo, inovador, flexível, com foco na gestão de situações de crises.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias (https://www.potiguarnoticias.com.br/) integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e impacto social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br. O link do Projeto de extensão e desta publicação também será socializado por meio do portal eletrônico do PPGEP/IFRN (https://portal.ifrn.edu.br/ensino/ppgep/paginas/entrevistas), bem como, por meio do portal eletrônico da Faculdade FAMEN (https://www.editorafamen.com.br/entrevistas/).

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Versão original em espanhol

Desde Chile, reflexiones sobre la experiencia educativa en el contexto de la pandemia

 

  1. ¿Cómo ve la actividad docente en el contexto de la Pandemia?

Para contextualizar pertenezco a una institución con una oferta académica en su totalidad con formación técnico profesional, que tiene una duración no mayor a cinco semestres, adscrita al beneficio de la gratuidad, lo que conlleva a que un volumen importante de estudiantes estudian gratis y mayoritariamente son estudiantes vulnerables socialmente y economicamente. Muchos de ellos son primera generación de profesionales en sus familias, por lo que no es solo una aspiración personal, es el anhelo familiar de disminuir brechas sociales. Por lo que nuestra responsabilidad como académicos es alta, ya que dentro de la formación de los estudiantes lidiamos con la permanente amenaza de la deserción de este estudiante que debe lidiar con la permanente desigualdad social.

Teniendo este antecedente en consideración, la carga de trabajo es altisima en terminos de planificación, adaptación de clases y procesos evaluativos, sin dejar de mencionar la importancia del seguimiento de cada estudiante, ya que la desmotivación se ha ido agudizando tanto en el estudiante como el docente y es debido a la Pandemia. En mi caso particular soy Coordinador Académico y estoy a cargo de una carrera que forma a Técnicos en Enfermería Nivel Superior (TENS) que es equivalente en muchos paises como “Paramedico”. Por lo que el desafio es aun mayor ya que no cuento con docentes precisamente con conocimiento en pedagogia, salvo un par de casos pero es muy minoritario, lo que hace que el trabajo constante de apoyo al docente en aula virtual y fuera de esta, sea concreto en ejercer una docencia apegada a desarrollar competencias en los estudiantes mas que simplemente transferir conocimientos, poniendo el enfasis en la retroalimentación del estudiante, ya que constantemente estamos realizando ajustes a nuestros metodos de enseñanza aprendizaje. Esto se ha vuelto complejo ya que no estaba en nuestros planes la virtualización completa de nuestras clases y los procesos de adptación para el docente fue muy breve, lo que hace muy meritoria su labor y compromiso en el cumplimiento de los programas de estudio. Particularmente en los modulos que tenemos que evaluar competencias practicas procedimentales, el desafio ha sido mayor, entendiendo que la demostración de técnicas es una aspecto escencial en el que hacer del TENS, bajo este argumento el llamado para las carreras que forman a futuros profesionales de la salud ha sido innovar incansablemente.

Bajo el punto de vista de la oportunidad, es un muy buen momento para escuchar a los docentes, generar los cambios y actualizaciones necesarios para fortalecer los programas de estudio y aprender de como nuestros estudiantes potencian sus aprendizajes mediante el uso de la tecnologia.

2.¿Cuál es su visión objetiva ante la situación social, económica y ambiental para el futuro en su país?

A nivel social la transformación digital es un hecho, por lo que es importante establecer politicas de estado efectivas sobre el derecho a la conectividad universal, en particular lo que es el acceso al internet, este es un cambio que sera permanente en la educación superior y es necesario establecer minimas garantias para entregar una educación de calidad.

El distanciamiento social se quedara por un buen tiempo circulando en nuestras comunidades, generando cambios culturales y sociales, lo que nos forzara a seguir potenciando las clases virtuales y equiparando la calidad de las clases virtuales versus las presenciales.

3.¿Qué transformaciones observa en la enseñanza presencial relacionada con el uso de nuevas tecnologías y el aspecto/comportamiento social de los alumnos por causa del aislamento social obligatorio en 2020?

Se ha evidenciado una mayor adhesión al trabajo autonomo de cada estudiante en torno a su proceso de aprendizaje, esto se ha traducido en aula virtual en cumplimiento de tareas o actvidades, preocupación en conectarse a clases, pero tambien se evidencia la organización de sus horas  estudio y elaboración de trabajos o actividades, habitos en organizar los tiempos de estudio, relacionado a la información, no se queda solo con lo que dice el docente y ha tenido que recurrir a la depuración en la busqueda de información, esto ha significado participación activa en las clases virtuales, tema que en clases presenciales no muchas veces sucedia.

Ante este escenario la tecnologia en particular los buscadores web han sido el complemente perfecto para el estudiante, que ha debido aprender a utilizar correctamente estos recursos.

4.¿Qué orientaciones han sido dadas a las instituciones de enseñanza para  su implementación ante las contigencias provocadas por la pandemia? ¿Usted está de acuerdo con todas esas orientaciones? Caso no, explíquenos.

Principalmente las orientaciones actuales estan enfocadas al acompañamiento y seguimiento de todos los estudiantes, en especial por el alto grado de estrés y labilidad emocional provocado por la preocupación permanente del COVID-19 y las repercusiones en la salud de las familias y el impacto economico, que ha conllevado la cesantia para muchas familias de nuestros estudiantes.

Este acompañamiento se da en colaboración desde las unidades academicas que principalmente cumplen el rol de detección de aquellos estudiantes que necesiten apoyo académico, emocional y economico, este equipo esta comprendido por: Vicerrectoria Académica, Coordinación Académica y Docentes. Para el seguimiento e intervención de estos casos esta la Dirección de Asuntos Estudiantiles, la cual es fundamental brindando orientación y apoyo tanto al area académica y fundamentalmente a los estudiantes, brindando acceso a internet, tablets, atención psicologica remota y orientación de beneficios de parte de las asistentes sociales. Por lo que es un gran equipo de trabajo coordinado atendiendo de manera permanente las necesidades de la contingencia.

Sin embargo, en el contexto actual queda mucho por trabajar de parte de las instituciones de educacion en el apoyo psicoemocional y posible burn out de los docentes y equipo academico, tanto por alta demanda y exigencia laboral, mezclado con cada situación dentro del plano familiar particularmente.

Esto va a traer consecuencias y puede mermar el trabajo para la segunda mitad de este año.

5.¿Desearía comentar algún aspecto en especial respecto a actividad académica, pandemia, política, economía y sociedad?

Solo destacar la importancia de adelantarnos a los procesos venideros, en especial los desafios que estamos enfrentando como sociedad desde el punto de vista de salud, la educación debe tomar un rol desicivo en como procedera a partir de este momento a dos o tres años mas, la improvisación ha dejado mal parado a las instituciones y los que han sufrido las consecuencias son la comunidad educativa que comprende las familias, los estudiantes, docentes, academicos y funcionarios administrativos.

Por lo que es imperante lideres en las altas esferas de educación y en las instituciones de educación, con una mirada prospectiva, innovadora, flexible y con foco en manejo de situación de crisis.

 

Fonte: Gustavo Fernández Díaz (CFT PUCV - Centro de Formación Técnica de la Pontifice Universidad Católica de Valparaíso)