Do Canadá, reflexões sobre educação online em tempo de pandemia

08/07/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Internet

Do Canadá, reflexões sobre educação online em tempo de pandemia.

Entrevista com Diego de Azevedo Oliveira, diretamente de Québec, no Canadá, América do Norte, sobre a configuração da educação no enfrentamento da pandemia do Covid-19. O entrevistado possui graduação em Engenharia de Petróleo e graduação em Ciência e Tecnologia, atualmente é estudante e pesquisador na Université de Sherbrooke (Québec / Canada). Na entrevista ao jornal Potiguar Notícias fala sobre aspectos adotados pela dinâmica da EaD no ensino no Canadá, sobre a preocupação nacional com a escola presencial e sobre alternativa de avaliação encontrada para que os estudantes não se sentissem prejudicados diante do contexto das aulas em EaD. A entrevista, realizada integralmente no idioma francês (conforme segue no final), foi traduzida para a língua portuguesa pelo Prof. Dr. Valério Gutemberg de Medeiros Júnior do IFRN.

1. Como você avalia a atividade dos docentes no contexto da Pandemia?

        Diante do contexto da pandemia, os professores tiveram que modificar sua rotina de sala de aula. Muitos não tinham uma experiência prévia com EaD e fizeram o melhor possível para que os estudantes sentissem menos o impacto da pandemia.

2. Qual é a sua visão sobre a situação social, econômica e ambiental para o futuro em seu país?

          Aqui no Canadá, cada província tem autonomia para planejar as suas políticas. O Québec está tentando frear a imigração, reformando a sua política imigratória, enquanto o governo federal do Canadá está visando aumentar a quantidade de imigrantes. Economicamente, todos estão prevendo problemas para o futuro por causa da recessão do trabalho e as políticas de auxílio adotadas.

3. Quais transformações você vê no ensino presencial relacionado ao uso de novas tecnologias?

       O ensino presencial continuará o mesmo. Ao longo dos anos as ferramentas tecnológicas vêm sendo cada vez mais adotadas no ensino presencial, isso continuará acontecendo. Na minha opnião a sala de aula é um ambiente propício para o ensino. A escola é um local para que os estudantes passem o dia enquanto os pais tem a sua própria jornada de trabalho. Já a universidade tem práticas que não podem ser adotadas como EaD.

4. Que orientação foram dadas às instituições de ensino diante das contingências causadas pela pandemia?

      Atualmente, julho de 2020, as escolas já retornaram ao funcionamento, isto é necessário para que os pais possam sair de casa para trabalhar sem a necessidade de deixar o seu filho sobre a supervisão de um terceiro. As universidade ainda estão com as aulas à distância, porém pesquisadores já podem retornar ao trabalho, seguindo algumas recomendações.

5. Você poderia nos contar sobre quaisquer experiências de educação bem sucedidas no contexto atual do isolamento social?

     A EAD foi bem sucedido, as universidades utilizaram uma política de avaliação para que os alunos que não conseguiram realizar o semestre como desejavam não sofressem com as notas irregulares. De maneira que se um aluno se sentisse lezado pela EaD ele poderia pedir que suas notas do semestre não fossem registradas no histórico escolar e não sejam contabilizadas para a sua média final.

6. Que mensagem de entusiasmo você enviaria para a sociedade brasileira?

        2020 é um ano extraordinário, com certeza já ficou para a história do mundo. Não desista, você pode fazer a diferença entre a vida e a morte dos seus entes queridos.

 

Tradução efetuada do francês Prof. Dr. Valério Gutemberg de Medeiros Júnior

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

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Entrevista original, em francês

 

1. Comment pouvez-vous évaluer l'activité de l'enseignement s dans le contexte de la pandémie ?

Face au contexte de la pandémie, les enseignants ont dû modifier leur routine scolaire. Beaucoup n'avaient aucune expérience préalable de l'enseignement à distance et ont fait de leur mieux pour que les élèves se sentent moins touchés par l'impact de la pandémie.

2. Quelle est votre opinion sur la situation sociale, économique et environnementale de l'avenir de votre pays ?

Ici au Canada, chaque province a l'autonomie de planifier ses politiques. Le Québec tente de freiner l'immigration en réformant sa politique d'immigration, tandis que le gouvernement fédéral du Canada vise à augmenter le nombre d'immigrants. Sur le plan économique, tout le monde prévoit des problèmes pour l'avenir en raison de la récession du travail et des politiques d'aide adoptées.

3. Quels changements voyez-vous dans l'enseignement en classe liés à l'utilisation des nouvelles technologies ? Commentez-vous l'aspect social des étudiants en 2020 ?

L'enseignement en face à face restera le même. Au fil des années, les dispositifs technologiques ont été de plus en plus adoptés dans l'enseignement, cela continuera. À mon avis, la salle est un environnement propice à l'enseignement. L'école est un endroit où les élèves peuvent passer la journée pendant que leurs parents ont leur propre journée de travail. L'université a des pratiques qui ne peuvent pas être adoptées à distance.

4. Quelles orientations ont été données aux établissements d'enseignement pour leur mise en œuvre face aux aléas de la pandémie ?

Actuellement, en juillet 2020, les écoles ont repris leurs activités, ce qui est nécessaire pour que les parents puissent quitter leur domicile pour travailler sans avoir à laisser leur enfant sous la surveillance d'un tiers. Les universités ont toujours des cours à distance, mais les chercheurs peuvent désormais retourner au travail, en suivant certaines recommandations.

5. Pourriez-vous nous parler des expériences d'éducation réussies dans le contexte actuel d'isolement social ?

L'enseignement à distance a été un succès, les universités ont utilisé une politique de barème de notation afin que les étudiants qui ne pouvaient pas terminer le semestre comme ils le souhaitaient ne souffrent pas de notes irrégulières. Ainsi, si un élève se sentait paralysé par l'enseignement à distance, il pouvait demander que ses notes de semestre ne soient pas enregistrées dans le dossier scolaire et ne comptent pas pour sa note finale.

6. Quel message d'enthousiasme enverriez-vous à la société brésilienne?

2020 est une année extraordinaire, elle est certainement déjà dans l'histoire du monde. N'abandonnez pas, vous pouvez faire la différence entre la vie et la mort de vos proches.

 

Fonte: Diego de Azevedo Oliveira (Université de Sherbrooke)