De Portugal, entrevista com Conceição Lamela sobre Autoavaliação na pós Pandemia

05/07/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Conceição Lamela (Universidade do Minho)

Autoavaliação em tempos de pandemia: dar voz aos que reinventaram os modos de ensinar e de aprender

   Entrevista internacional concedida pela portuguesa Conceição Lamela, Doutoranda em Ciências da Educação, especialidade de Desenvolvimento Curricular pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho, em Braga/Portugal, ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. A pesquisadora do Centro de Investigação em Educação da UMinho também é professora do 1º ciclo do Ensino Básico (Ensino Fundamental). “Autoavaliação em tempos de pandemia” é o tema da sua reflexão, dando “voz aos que reinventaram os modos de ensinar e de aprender”, acreditando “que o processo de autoavaliação é o momento e o espaço adequados para recolher e analisar de forma contextualizada os testemunhos daqueles que têm vivenciado esta experiência de “ensino à distância”, onde a escola se transferiu para o espaço da casa de cada um”.

1. Professora Conceição Lamela, qual a importância da pesquisa sobre autoavaliação em Ciências da Educação?

    No âmbito do estudo que me encontro a desenvolver tenho-me centrado nas questões relacionadas com a avaliação de escolas. Neste sentido, é meu objetivo central analisar o papel da autoavaliação no contexto da avaliação institucional. Esta é, indiscutivelmente, uma temática que, desde algum tempo a esta parte, tem assumido uma grande relevância ao nível das políticas educacionais.

2. O que os autores sobre o processo de autoavaliação mencionam com relação a importância deste objeto de estudo?

    Vários são os autores que referem a importância da avaliação, e particularmente da autoavaliação, na melhoria do processo de ensino-aprendizagem, considerando um sentido mais estrito, bem como do próprio sistema educativo, considerando um sentido mais lato (amplo).

3. Além de pesquisadora em nível de doutoramento, a professora Conceição também se encontra no exercício docente com crianças. Em que medida a pandemia impactou na sua atividade profissional?

     Enquanto investigadora, mas particularmente e simultaneamente como docente a trabalhar com crianças, cuja média de idades ronda os nove anos de idade, tenho-me confrontado com uma série de mudanças bruscas e consequente necessidade de constante adaptação a uma nova realidade no contexto da minha atividade profissional, provocadas pelas contingências decorrentes da situação pandémica que temos vivido nos últimos tempos.

4. No atual momento e contexto educativo, em que sentido é que autoavaliação das escolas é fator relevante?

     O momento singular que as escolas e os atores educativos têm vivido no contexto da pandemia introduziu, ao nível dos discursos, um conjunto de vocábulos e expressões, como “aula síncrona”, “aula assíncrona”, “videoconferência”, “plataforma digital”, “ensino à distância” e o recurso, ao nível das práticas, a um conjunto de ferramentas digitais, aos quais todos se procuraram adaptar a um ritmo absolutamente inesperado e necessário. É neste contexto que, em meu entendimento, a autoavaliação das escolas pode ter um papel preponderante para a melhoria do serviço educativo prestado.

5. Pode dizer-nos em que aspecto a autoavaliação das escolas contribui para a tomada de decisões no âmbito das práticas letivas dos professores, muito em particular nestes tempos que estamos a viver?

     Sendo a autoavaliação o processo que se desenvolve no seio da organização escolar, com a participação direta dos vários atores educativos, uma liderança atenta, com visão estratégica, não desperdiçará, seguramente, este momento peculiar para envolver os principais interlocutores do processo educativo – alunos, pais e professores – na recolha de informação essencial para a tomada de decisões no âmbito das práticas letivas, ou seja, na redefinição de estratégias, na reorganização de processos e na reformulação de práticas que incorporem um vasto conjunto de ferramentas e recursos tecnológicos no contexto da sala de aula ou fora da mesma.

6. Nesse desfecho de entrevista, que mensagem você compartilha com os professores luso-brasileiros leitores deste diálogo no portal de jornalismo do Potiguar Notícias?

    Acredito que o processo de autoavaliação é o momento e o espaço adequado para recolher e analisar de forma contextualizada os testemunhos daqueles que têm vivenciado esta experiência de “ensino à distância”, onde a escola se transferiu para o espaço da casa de cada um.

   Recorrendo às palavras de Almerindo Janela Afonso, autor de referência nas questões da avaliação educacional, e como tónica final para esta reflexão, será de salientar que a autoavaliação da escola tem de ser um processo de “aprendizagem coletiva”, onde os vários membros de uma comunidade educativa têm algo a dizer, têm o seu espaço e a sua oportunidade de contribuir para a desejada melhoria contínua da organização escolar.

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

Fonte: Conceição Lamela (Universidade do Minho)