Crise econômica agravada pela pandemia atinge principalmente mulheres

01/07/2020


Foto: Cícero Oliveira - Agecom UFRN
 
 
Os recentes dados divulgados pelo IBGE, referentes à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Mensal (PNADM), mostra que houve uma queda de 4,9 milhões de postos de trabalho no país, se compararmos a média trimestral de fevereiro, março e abril de 2020 com os três meses anteriores. Essa instabilidade trazida pela pandemia prejudicou especialmente as mulheres, já que houve uma perda de postos de trabalho nas atividades em que elas mais se inserem. Nos primeiros três meses do ano, enquanto 70,2% dos homens faziam parte da força de trabalho, o percentual entre as mulheres era de apenas 52,1%.
 
Entre as mulheres jovens negras, de 15 a 29 anos, a situação é ainda pior. A proporção das que não estudavam e não estavam ocupadas era de 32%, contra apenas 15% entre os homens brancos na mesma idade. A situação é acompanhada pelas professoras Jordana Cristina de Jesus e Luana Junqueira Dias Myrrha, do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais (DDCA) da UFRN e pesquisadoras participantes do Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19 (ONAS), que analisam o fenômeno econômico e social.
 
No Brasil, por exemplo, 1 a cada 3 mulheres negras vive em situação de pobreza. No caso dos homens brancos, essa proporção é de 1 a cada 7 na mesma situação. “Essas jovens, embora não tenham atividades remuneradas, são responsáveis pelos trabalhos domésticos em seus domicílios. Essa diferença também se faz presente na pobreza monetária, já que, em 2018, o percentual de mulheres negras em domicílios com rendimento per capita abaixo da linha da pobreza era de 33,5%. Nesse cenário já desigual, espera-se que os impactos sociais e econômicos, como desdobramentos da pandemia, sejam sentidos mais fortemente por elas”, afirma o artigo publicado aqui nesta segunda-feira, 29.
 
A maior redução de postos de trabalho, dizem as pesquisadoras, foi no setor de comércio (1,2 milhão de postos), seguido pela construção (885 mil postos), serviço doméstico (727 mil postos) e alojamento e alimentação (700 mil postos). Mais de 90% dos trabalhadores no serviço doméstico são mulheres, assim como nas atividades do comércio, alojamento e alimentação.
 
Por outro lado, ressalta o artigo, houve o aumento de 287 mil postos de trabalho nas atividades ligadas à saúde, serviços sociais e outros postos da administração pública, devido a contratação de profissionais para o enfrentamento da pandemia. “Os profissionais de saúde que estão na linha de frente ao combate da doença são em sua maioria mulheres (80%), mas essa geração de empregos não compensou as perdas nas demais atividades. Portanto, em uma análise mais ampla, os efeitos desse novo cenário de fato têm afetado os setores com alta participação no emprego feminino”, finaliza.
 

Fonte: Vilma Torres - Agecom UFRN