Da Itália, reflexões sobre a educação on-line em tempo de Pandemia

25/06/2020

Por: Andrezza Tavares & Bento Silva
Foto: Sandra Bandeira Nolli

 

Entrevista com Sandra Bandeira Nolli: “Da Itália, reflexões sobre a educação online em tempo de Pandemia

     Entrevista internacional concedida por Sandra Bandeira Nolli, jornalista e docente especialista no campo das Metodologias de Ensino Fundamental I e II, diretamente da Itália, ao portal de Jornalismo Potiguar Notícias. A entrevistada fala sobre “educação online em tempo de Pandemia”. A decupagem sonora da entrevista foi realizada pelo professor e pesquisador Eduardo Francisco Souza das Chagas, acadêmico do PPGEP/IFRN.

1. Sandra Bandeira, jornalista e professora, contextualiza o seu local de fala para os interlocutores do Jornal Potiguar notícias?

     Eu sou a jornalista e professora Sandra Bandeira Nolli. Trabalho com jornalismo e assessoria de imprensa na Itália, onde moro há 11 anos, região da Lombardia, na província de Bréscia, foco do coronavírus. Fui servidora municipal de Fortaleza onde atuei como Coordenadora e auxiliar de supervisão de projetos educacionais cearenses.

2. Como compreender a situação dos estudantes e a realidade nas escolas italianas durante essa pandemia?

    São quase quatro meses após o decreto que suspendeu as atividades didáticas, os gestores escolares iniciaram os métodos de ensino à distância continuados até ao final do ano letivo em junho, levaram em consideração as necessidades específicas dos alunos com deficiência e os exames do ensino médio serão realizados no dia 17 de junho seguindo as regras de segurança estabelecidas para proteger a saúde de todos. São 331 milhões de euros destinados às escolas estaduais para garantir o retorno de forma presencial em setembro, mas ser estudante na Itália se tornou difícil.  

3. Na Itália, qual reflexão pode ser realizada considerando o cenário da educação no contexto da pandemia do Covid-19?

     A emergência revelou todas as fraquezas do sistema educacional de ensino a educação pública, como uma realidade de uma Itália dividida ao meio entre aqueles que podem comprar dispositivos e qualidade de rede, que conseguem suprir os recursos necessários para estudar, e aqueles que ficaram de fora e que estão nadando em dificuldades. Os professores, também, infelizmente, estão perdidos e sem indicações claras.

4. Com a pandemia, que aspectos passaram a ser o centro das críticas em relação à política de educação pública na Itália? 

    Não faltam protestos estudantis, a mobilização virtual devido a mais de um milhão de estudantes sem ter acesso à educação online, nem todas as escolas receberam subsídios ou empréstimos para comprar computadores e existe somente uma única plataforma online pública. Para além disso, também os pais não querem confiar os dados dos filhos para empresas privadas. É uma situação de frustração geral na Itália.

5. É possível narrar experiências exitosas de escolarização que ocorrem neste contexto de isolamento social?

    Sobre as escolas italianas posso afirmar que, no quadro da educação do território italiano, o grande destaque nessa emergência é dado às 8000 escolas de montanhas ou Ilhas, escolas pequenas, que sempre viveram juntas com isolamento territorial. São pequenos complexos espalhados nas áreas internas da Itália, que há muito tempo têm necessidade de inventar soluções de ensino inovador e remoto. Para estas escolas, de fato, o isolamento social imposto pelo coronavírus não foi bem uma novidade, pois já coexistem com alianças territoriais e tecnologia como dois pontos fortes de seu ensino. A escola de comunidade com tecnologia e inclusão social de classes beneficia quase um quinto da população estudantil italiana. Essa experiência consolidada, aliada ao apoio solidário, permitiu o desenvolvimento de modelos didáticos que superaram todas as dificuldades do isolamento.

6. Quais experiências didáticas foram reveladas pela educação italiana como facilitadoras da escolarização com isolamento social?

     As pequenas escolas realizam há muito tempo projetos participativos por meio de gestão coletiva com museus que disponibilizam conteúdos, web rádios, com  programação virtual diária e com profissionais bem formados. As ferramentas das plataformas e recursos são organizados pela rede de solidariedade do povo, pela comunidade de professores e de gestores.  Aspectos como a criação de corpo docente virtual, entre as estratégias citadas, são ações eficazes nessas escolas do campo que abrigam estudantes moradores de locais com falta de estradas. Na Itália, além das escolas do campo, o atendimento remoto também está bem orientado para outras problemáticas como equipes para atender em situação de terremotos, questões como hospitalização e tratamento de saúde.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

Fonte: Sandra Bandeira Nolli