Junho: Mês do Orgulho LGBTI+

20/06/2020

Por: Andrezza Tavares
Foto: João Kaio Cavalcante de Morais

 

Mês do Orgulho LGBTI+

     Entrevista concedida por João Kaio Cavalcante de Morais, Doutorando em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional (PPGEP/IFRN), ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. O biólogo, professor e pesquisador, fala sobre o contexto de dificuldades da população LGBTI na pandemia do novo Coronavírus e realça a importância de ideias de entusiasmo.   

1. Professor Kaio, contextualiza para o leitor desta entrevista a efeméride de 28 de junho, dia mundial do Orgulho LGBTI?

     O mundo celebra, em 28 de junho, o Dia do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex). A data faz alusão ao episódio ocorrido no bar Stonewall Inn, nos Estados Unidos da América. No ano de 1969, a população LGBTI que frequentava o local reagiu a uma série de ameaças advindas dos policiais. O acontecimento resultou, um ano depois, na realização da 1º parada do orgulho LGBTI.

2. Em que país do planeta acontece a maior parada do orgulho LGBTI? Como o contexto da pandemia alterou a dinâmica deste movimento?

    Atualmente, a maior parada do orgulho acontece no Brasil, na cidade de São Paulo, no mês de junho. Por decorrência da pandemia do novo Coronavírus (SARS-CoV-2), a parada do Orgulho LGBTI aconteceu de forma remota, no último domingo, dia 14 de junho de 2020. Como temática central, destacou-se a necessidade da democracia para garantir os direitos da comunidade. Para além temática extremamente importante, a situação da vulnerabilidade da população LGBTI na pandemia também foi ressaltada.

3. Quais os resultados apontados por pesquisas que estudam a problemática da situação social, econômica e emocional das pessoas LGBTI, no período dos três meses de vigência do isolamento social, no Brasil?

    De acordo com uma pesquisa realizada pelo grupo VoteLGBT da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o isolamento social, que impacta a sociedade como um todo, tem gerado repercussões ainda mais agudas entre lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis. O levantamento consultou cerca de 10 mil pessoas de todo o país. De acordo com os entrevistados, lidar com problemas de saúde mental é a maior preocupação. Foi esse o maior temor registrado entre 44% das lésbicas; 34% dos gays; 47% das pessoas bissexuais e pansexuais; e 42% das transexuais. Dentre os participantes, 28% já receberam diagnóstico prévio de depressão, número quatro vezes maior que o registrado entre a população brasileira. A questão financeira também impacta na vida da população LGBTI na pandemia, tendo em vista que 21,6% dos entrevistados disseram não possuir emprego. O número é superior aos 12,2% de desempregados da população brasileira de uma forma geral, de acordo com os dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), através do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

4. Na sua avaliação, qual a relação entre os dados tão preocupantes que as pesquisas sinalizadas anteriormente apontam e o lastro histórico de preconceito e violência contra as pessoas LGBTI?

    Os dados revelam o contexto de dificuldades da população LGBTI na pandemia do novo Coronavírus. Essa realidade é consequência de um histórico de preconceito e violência que as pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais sofrem no cotidiano, algo que se agrava ainda mais no atual período. O isolamento e distanciamento social potencializam as relações sociais desse grupo de pessoas com os familiares que, muitas vezes, apresentam rejeição pela condição do LGBTI, algo que pode incidir em quadros de doenças.

5. Que orientações e ideias de entusiasmos podemos socializar para as pessoas LGBTI, assim como para a sociedade ampliada, neste desfecho de entrevista?

    No atual cenário, se faz necessário manter os laços de aproximação, empatia e afetividade entre as pessoas que formam a própria comunidade LGBTI, mesmo que de forma remota. As redes sociais e os canais voltados para a população LGBTI nas plataformas de streaming de vídeo e áudio são opções de entretenimento e informação. O isolamento e o distanciamento social também podem representar espaços de construção de novas amizades, mesmo que online. O mês do Orgulho está aí para potencializar essas relações!

 

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

 

 

Fonte: João Kaio Cavalcante de Morais