Entrevista com a pesquisadora portuguesa Eduarda Rodrigues sobre Educação

09/06/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Eduarda Cristina Rodrigues

 

Entrevista com a pesquisadora portuguesa Eduarda Rodrigues sobre “docência e aprendizagem em 2020”

          Entrevista internacional concedida por Eduarda Cristina Rodrigues, Doutoranda em Ciências da Educação na especialidade de Desenvolvimento Curricular pela Universidade do Minho, em Braga/Portugal, ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. A professora e pesquisadora  do Centro de Investigação em Educação (CIEd/UMinho) fala sobre as transformações das escolas, com relação aos aspectos docência e aprendizagem, diante dos desafios enfrentados no ano 2020.

1. O contexto da Pandemia tem conclamado que países do globo se unam e tomem decisões conjuntas para a mitigação dos efeitos letais do covid-19. Alguma outra agenda recentemente também demandou reunião planetária de países para pensar e de decidir sobre a posteridade da vida de pessoas e sobre o planeta?

Em 2015 a Organização das Nações Unidas publica a Agenda 2030, documento ambicioso na sua essência, que estabelece 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) em que as nações envolvidas, nas pessoas dos seus líderes, se comprometem em cumprir ações centradas nas pessoas e no planeta tendo como horizonte a promoção da paz e da justiça por meio do fomento de instituições eficazes.

2. Como avaliar, de forma objetiva, os 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) e sua relação com o trabalho docente?

Os objetivos, de cariz social, económico e ambiental, são facilmente adaptados a qualquer contexto e organização e, quando escrutinados na sua operacionalização, os docentes destacam-se no seu potencial contributo. E eis que surge um novo organismo, que num surto epidemiológico, vem sublinhar o tanto que ainda há a fazer e expor realidades que, muitas vezes, temos como certas.

3. Quais as principais transformações ocorridas com a escola presencial,  com relação ao uso de novas tecnologias e ao aspecto social dos alunos, a partir do isolamento social deflagrado mundialmente no primeiro semestre letivo do ano de 2020?

Nestes novos tempos, a escola foi transferida para casa, aos docentes foi pedido que usassem as novas tecnologias que até então entravam a medo na sala de aula, os alunos mais frágeis foram expostos nas suas dificuldades, nos seus limites económicos, na sua débil condição social, muitas vezes mitigada no dia-a-dia escolar onde tudo parecia estar sob controlo.

O professor presente, atento, que alerta para a falta de atenção, para a falta de estudo, que individualiza o ensino, se assim for necessário, passou para o outro lado do ecrã. O aluno mais carenciado que vai para a escola, pouco ou até muito motivado, deixa de ter acesso à aula como outrora. Ele não tem computador, ou internet rápida e de acesso ilimitado. Ele deixou de ter as mesmas oportunidades dadas aos colegas. Ele voltou a sentir a desigualdade social.

4. Em Portugal, como as escolas foram orientadas para agir diante das contigencias provocadas pela pandemia?

Em Portugal, o novo ciclo de avaliação externa das escolas, enaltece práticas de inclusão, favorece as escolas inovadoras e flexíveis, aplaude as escolas que promovem o sucesso de todos os seus alunos - onde nenhum aluno é deixado para traz! E é aqui que as escolas se poderão destacar: no modo como conseguiram, ou não, incluir todos os seus alunos, como envolveram a comunidade para reduzir as desigualdades económicas e sociais, o seu contributo na irradicação da pobreza aliado a uma educação de qualidade.

5. É possível encontrar conexões entre avaliação externa, orientação de orgãos oficiais portugueses para os docentes das escolas públicas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável promovidos pela ONU?

É aqui que a escola, no seu todo, e o docente em particular, podem aliar-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável promovidos pela ONU. É também aqui que podemos dar o nosso contributo… e quem sabe sairemos mesmo mais fortes, mais alertas, mais sensíveis e mais humanos deste ano 2020.

 

Fonte: Eduarda Cristina Rodrigues