O que você está fazendo com o seu tempo?

26/05/2020

Por: Jerônimo Freire
 
A pandemia de COVID19 tem provocado mudanças drásticas em nossas vidas (relacionadas as medidas de isolamento), no trabalho, na escola ou na realização de tarefas diárias rotineiras, e milhões de pessoas no mundo tiveram que se adaptar rapidamente e encontrar novas maneiras de realizar as coisas. Toda essa situação tem provocado na maioria das pessoas, ações que nos forçam a sair da zona de conforto e pensar a partir dela. Percebemos essa força também, no contexto das instituições (OMS, governos, empresas, universidades, centros de pesquisa), em ações que possam levar a diagnósticos mais precisos, novos remédios e, principalmente, a uma vacina que possa tranquilizar a humanidade.  Nós humanos aprendemos com as nossas adversidades, a história tem registrado isso em várias situações, como: a Peste Negra, a Cólera, Tuberculose, Varíola, Tifo, Febre Amarela, Sarampo, Malária, AIDS, Gripe Suína e H1N1. A ferramenta usada em todas as situações, é o conhecimento científico, e em pleno século XXI, temos esse desafio. Importantes laboratórios, em várias partes do planeta com seus profissionais da ciência, trabalham arduamente para encontra a vacina, enquanto outros (médicos, enfermeiros, técnicos, gestores da saúde) estão, heroicamente, na frente da batalha em hospitais para salvar vidas, todos têm em comum o conhecimento científico. 
 
Será este um bom momento para se pensar na importância da qualidade da Educação? ou seria prazeroso, reaprender o que é não fazer nada? ou ajudar pessoas que você sabe que nessas circunstâncias estão desesperadas, em pânico, principalmente, relacionados aos problemas econômicos decorrentes do isolamento. São dias claustrofóbicos e de uma mesmice assustadora. E em meio à tanta incerteza, podemos redefinir como queremos usar nosso precioso tempo. Eu, tomo a liberdade para discutir o cenário da educação, em especial, nesse turbilhão disruptivo por que passa a Educação Brasileira. 
 
Segundo dados da UNESCO, são mais de 1,5 bilhão de crianças fora da escola nestes tempos de Pandemia. Muitos foram pegos de surpresa para ter aula em casa, com o apoio dos pais (imagina o sufoco!). No nosso caso, ao colocar online os estudantes, expuseram a realidade das desigualdades do sistema educacional brasileiro, desde a necessidade de milhares de crianças que dependem das escolas para uma alimentação e um ambiente seguro, até a divisão digital, diante do qual, estudantes, sem computadores ou dispositivos móveis (tablet e smartfones), conexões confiáveis à Internet, são prejudicados nesse processo importante de formação. Este texto não tem a intenção de se aprofundar na mediação professor/aluno com uso das mídias – insuficiente (nem todos os lugares têm conectividade de banda larga estável e confiável); tecnologias (nem todas as escolas têm tecnologia de que precisam ou o suporte técnico para que isso aconteça com qualidade); recursos humanos (a inexperiências da maioria dos nossos professores, principalmente, os nativos) e a existência de tecnologias nas residências (hardware, software e conexão à internet) – para que a referida realidade mude.  O que podemos observar é que a crise sanitária, apenas escancarou a fragilidade do nosso sistema educacional. O que fazer? Uma coisa é certa, a crise vai passar, e juntos vamos construir uma sociedade melhor. Para começar, é hora de colaborar com a informação responsável que ajuda o outro a entender o mundo, a pensar e decidir.   E você, o que está fazendo com o seu tempo?