Fé, gestos e governantes

09/04/2020

Por: Walter Fernandes de Miranda Júnior.
 
O momento exige de todos um exercício de cidadania alicerçada nos princípios da solidariedade e da dignidade humana, mas fundamentalmente, de governantes e representantes do povo na aplicação das medidas humanitárias consolidadas nas políticas públicas de promoção do bem comum, de modo especial e urgente para as populações mais pobres e vulneráveis.
 
A nossa democracia é representativa, mas também a nossa constituição ampara a participação popular, através da livre manifestação dos brasileiros e brasileiras.
Assim, a sociedade civil, através das entidades profissionais e empresariais, associações de bairros, lideranças, sindicatos de trabalhadores e empregadores, conselhos profissionais, movimentos sociais, federações de atividades econômicas, sociedade de pesquisas científicas universidades, imprensa, redes sociais e igrejas, manifestam-se sempre de maneira saudável e sustentável quando alerta, provoca, denúncia, exige transparência, e aponta caminhos para os governantes e detentores de cargos públicos. É o processo democrático que conta com o controle social, que vai ao encontro da questão formulado pelo poeta romano Juvenal “Quem há de vigiar os próprios vigilantes?” E outras formas como “Quem fiscaliza os fiscalizadores?” “Quem há de acompanhar as políticas públicas?”. Hoje estamos sempre evoluindo com as instituições públicas que captam as demandas levantadas pela sociedade, como exemplo o Ministério Público.
 
Nessa linha da lógica da solidariedade e da vontade humana, e da preservação da vida, está a igreja católica, assim compreendo. A igreja católica eternamente respeitará à vida e jamais deixará de ficar ao lado da natureza, das pessoas, dos que sofrem, dos pobres e da verdade. Esse é o meu pensamento como Cristão e como católico, sabendo que todos os dias nos convertemos, porque todos os dias falhamos, pecamos.
 
O padre Murilo do centro pastoral de Parnamirim, no dia quatro de abril passado, na sua pregação posicionou-se pelos necessitados e vulneráveis do município, que se encontram com a situação agravada diante do cataclismo coranavirus, alertando o prefeito para a tomada das decisões e provimento para a população que precisa das políticas públicas humanitárias. A palavra pastoral está inspirada nos ensinamentos bíblicos “ame outros como você ama a você mesmo” Tiago 2:8-9, entre outros ensinamentos para os que acreditam no amor de Deus, e entre outros documentos da igreja como o concílio Vaticano II, através da bula Papal “Humanae Salutis” - Saúde HUMANA. A obra social de assistência contínua da igreja católica é imensa e abrangente, como exemplo os trabalhos feitos nas pastorais e o da campanha da fraternidade, e outras relevantes, sem protagonismo, com simplicidade e humildade. Neste momento de combate ao novo coranavirus, é dever da prefeitura através de políticas públicas humanitárias legais, urgentes e universais, em comunhão, para a devida orientação, com os órgãos de controles, Câmara municipal, Ministério Público, justiça, defensoria e TCE, assistir à população vulnerável e carente, além de liderar o processo de defesa da saúde e da assistência social, e depois da recuperação econômica. A solidariedade das pessoas, das empresas, das religiões e dos órgãos são reais, mas são complementares e não substituem o poder público; por isso não se pode deixar de cobrar a permanente presença da Prefeitura nas ações de enfrentamento do COVID 19.
 
Que a nossa fé, as nossas ações solidárias e as ações do governo federal, estadual e municipal, constitucionais, cada um com sua atribuição, e juntos e interligados formem uma união para vencer essa terrível pandemia.
 
Em crises humanitárias cabe maior presença do poder público no socorro e no restabelecimento do bem-estar da cidadã e do cidadão. 
 
A fé move montanha; a fé em Cristo sempre resulta em boas obras.
 
Parnamirim, 08 de abril de 2020