Recordações de encontros e feiras literárias (ou, sobre mercado e literatura)

27/11/2019

Por: Beth Olegário
Estava em Natal. Era 23 de novembro de 2006. No largo da rua Chile, Ribeira, comeva o I Encontro Natalense de Escritores (ENE). Em uma das mesas que fui assistir com outras sete pessoas dois imortais falavam sobre a importância de ler os clássicos.
 
Eu, menina do morro, não entendi para quem eles falavam aquilo. Na super tenda com um super ar condicionada, apenas dez pessoas. Isto contando com o pessoal da organização. Pedi a palavra e falei que do moro onde eu vinha não havia bibliotecas. Falei que era a Biblioteca Câmara Cascudo que supria a carência da minha comunidade. Precisávamos de livros. Clássicos ou não. .Depois de falar isso, chorei. Eu era uma boba já chorei por causa de literatura.
 
Em 2008, a Biblioteca Câmara Cascudo fechou para reformas. Passou quase dez anos fechada. Ninguém nunca protestou por isso.
 
Aprendi nesse festival que a Literatura está em outros lugares. À noite flanando pela Ribeira e procurando um boteco para tomar uma cerveja tive a sorte de cair na mesa que estava Moacy Cirne, Inácio de Loyola Brandão, Abimael Silva, Marcelino Freire e Antônio Prata. A li, estava o festival. O resto era cena.
 
Já em 2010 fui a um Festival Literário na Praia da Pipa. A mesma coisa aconteceu. Ia ccomeçar uma mesa sobre o Moacy Cirne . Na tenda apenas algumas pessoas da organização e algumas senhoras cheias de botox. Não havia um moradores , nem turistas. Naquele mesmo dia os jornais do Estado estampava os dados. Eramos o Estado com o pior índice educacional. Pedi mais uma vez a palavra. Perguntei para quem aqueles senhores estavam falando. Pedi as dez pessoas que estavam na sala que falassem ao menos três livros do poeta, artista visual e professor Moacy Cirne. Foi uma confusão. O senhor que fazia parte da mesa disse: Eu sei que você é do movimento. Mas não posso falar de quem me trouxe ao evento.
 
Saí da sala, não choorei. Fui tomar uma cerveja. Escrevi tudo isso apenas para dizer que nunca fui a FLIP, no entanto aprendi cedo que um coisa é o mercado, outra a literatura.