Neto de Figueiredo mostra desejo de separação por "castas"

17/11/2015

Por: Cefas Carvalho
Foto: Fotomontagem PN
Respeito a diferença de opinião, principalmente na seara política, sempre passional e delicada. Tenho amigos de todas as correntes políticas, respeito a todos e por eles sou respeitado. Entendo que alguém deteste o PT, por exemplo, e queira votar em Aécio Neves e no PMDB.
 
Contudo, com base em observação e situações vividas, percebo que boa parte de quem odeia Lula, Dilma e o PT não o faz por razões político-ideológicas. É por elitismo mesmo, aquele (mal) disfarçado senso de superioridade que nega, mas, gostava (e gosta) de ver o mundo, o Brasil, o condomínio, dividido em "castas".
 
Como eu falei, claro que isso é disfarçado. Pega mal admitir ser elitista. Na verdade, isso de "elites" é coisa de comunista retrô que não saiu dos anos 60, não é mesmo?
Por isso, adoro quando um dos citados é pego em ato falho e, com a ajuda das redes sociais, externa explicitamente o que pensa, seu ódio às "castas" inferiores e sua sensação de superioridade social, econômica, cultural.
 
Quem em Natal não se lembra da jornalista Micheline Borges que lançou carreira e reputação social ao fogo ao comentar em sua conta no Facebook que as médicas cubanas do Mais Médicos tinham "cara de empregadas".
 
Pois agora o elitista pego em ato falho de vez foi um cidadão cuja existência eu desconhecia: Paulo Figueiredo Filho. Sim, o sobrenome não é por acaso; seu avô era aquele general alçado à presidência do País, que gostava mais do "cheiro de cavalo do que do povo".
 
O rapaz escreveu na sua página no Facebook: "Viajo umas 15 vezes por ano aos EUA. Já totalizei mais de 100 entradas no país. Tenho uma filha americana. Venho de uma família tradicional aliada aos EUA. meu principal parceiro comercial é candidato a presidente americano pelo Partido Republicano. Eu sou membro de uma Igreja Presbiteriana. Sou diretor de um instituto que promove ideias liberais......... E, principalmente, não me chamo Ahmed!!!!!!
 
Ainda assim me barram em uma inspeção de segurança extra criteriosa e reviram tudo meu antes de entrar no avião. Isso é o que eu chamo de "trust issues", America! Acho que o profiling está sendo feito meio errado... Vocês deviam confiar tanto em mim que deveriam querer que eu pilotasse a porra desse avião".
 
Numa só pedrada o ilustre rapaz atingiu vários coelhos. Deixou claro que não é pobre nem de família de zé ninguens. Religioso, como convém a membro de família tradicional. Rico. Branco e hétero, evidentemente. Por que deveria ter sua bagagem "revirada" como ele diz, como se fosse um negro qualquer, um gay fechoso, um pobre, um Silva qualquer? Ele é de uma casta superior, enfim, deixa claro, sem eufemismos e ambiguidades essa sensação. Uma casta superior - branca, hetero, com "berço" e posses - que vejo quase que diariamente pedindo o impeachment de Dilma e o fim do PT. Claro que boa parte desse pessoal mascara razoavelmente bem a sensação de ser de casta superior, com o verniz de "combate à corrupção", "alternância de poder" e similares.
 
Daí minha felicidade quando vejo alguém como esse rapaz, neto do ilustre presidente Figueiredo, rasgar véus e máscaras e sem eufemismos, dizer as coisas como elas são. "Não me chamo Ahmed!". Claro, amigo. Nem Ahmed, nem Silva. Que mundo é esse em que Figueiredos sócios de Donald Trump são tratados em aeroportos como se fossem reles e pobres imigrantes latinos ou árabes. Esse mundo está perdido mesmo!