Wellington Duarte

02/10/2021
 
 
Existe Alternativa Progressista ao Governo Fátima Bezerra?
 
 
Estamos há basicamente um ano das eleições para presidente, senadores, deputados federais, governadores e deputados estaduais. São as chamadas “eleições gerais” e as do ano que vem são especialmente importantes pois se darão num contexto de “ressaca da pandemia”, pois apenas depois de um ano desses mandatos eclodiu a pandemia, que tem consumido dois anos desses agentes políticos e, provavelmente, no último ano o país, destruído por 4 anos de um governo infame, o do Mandrião, estará ainda sob os efeitos da pandemia na economia e na sociedade em geral e, como já está sendo acenado, a elite rastaquera desse nosso país, novamente se articulará para impedir que as forças democráticas e progressistas retomem o governo do país.
 
No caso do Rio Grande do Norte já existe uma movimentação dessa “elite” e o alvo, como não poderia deixar de ser, é a governadora Fátima Bezerra e as mentiras, marca registrada do “modus operandis” desses políticos e seus aliados, e basta rememorar as campanhas eleitorais, principalmente depois de 1945, para entender o que pode vir pela frente. Não haverá surpresas se o linguajar desses “coronéis” descer ao esgoto e já vemos, por exemplo, o bolsonarista de ocasião, Fabio Faria, atacar a governadora com impropérios e, de forma descarada, tenta mostrar que é o Mandrião que tem feito “as coisas boas para o RN”. O bufão omite que foi graças a sabotagem do seu “duce”, que mais de 7.300 potiguares tombaram devido ao descaso do governo federal.
 
Fátima enfrenta uma campanha diária de difamação, calúnia, piadinhas infames e mentiras, promovidas pelas mesmas pessoas que há anos vivem puxando o saco desse “elite”, garantindo sua sobrevivência medíocre. Esse tipo de comportamento é “normal”, posto que esse governo, de centro, um pouquinho puxado para a esquerda, é uma “anomalia” para os “donos” desse estado, considerados por eles como uma “grande fazenda”.
 
Com o maior investimento em educação da história do Rio Grande do Norte, número recorde de leitos críticos e clínicos na rede estadual de saúde, pagamento em dia de salários de servidores da ativa, aposentados e pensionistas; crédito e assistência técnica a pequenos produtores rurais, agricultores familiares e microempreendedores e estimulo à economia para gerar empregos, os mil dias desse governo conseguem um equilíbrio, frágil é verdade, nas finanças, em meio ao legado desastroso do pai do bufão Fabio Faria e aos efeitos deletérios da pandemia.
 
Esse governo foi capaz de enfrentar a “caixa preta” do antigo PROADI, reformulando-o e tornando-o um programa que possibilitou a sua substituição pelo Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROEDI) que brecou a fuga de capitais do RN e abriu a possibilidade de começar a haver uma geração de empregos mais consistente, algo fundamental para uma sociedade adoecida e amedrontada pelo desemprego, desalento, subemprego e pela ameaça da fome, principalmente nas periferias e nos municípios mais pobres.
 
Obviamente que uma gestão que opera nesse ambiente inóspito não tem a simpatia da maioria dos mais de 60 mil servidores públicos do RN, inclusive porque boa parte dele, preferiu caminhar pelo sinistro pensamento bolsonarista, muito em função da pesada campanha permanente que as elites locais fazem contra qualquer tipo de pensamento minimamente progressista, e isso atravessa as categorias dos servidores públicos. Mas também existe, mesmo entre os servidores públicos estaduais que a apoiam, uma justificada impaciência com relação a reajustes salarias, visto que há, de fato, uma defasagem salarial visível nesse setor da sociedade e isso atrita as relações com o Partido dos Trabalhadores (PT).
 
As pesquisas eleitorais mostram que a governadora detém uma vantagem consistente e o único que aparece, nesse momento, como potencial adversário, é Carlos Eduardo Alves, que tem um “capital político” bastante sólido, embora tenha apoiado Bolsonaro e alfinete, sempre quando pode, a governadora. É muito cedo para dizer que Carlos Eduardo será o “polo aglutinador” dessa oposição, visto que o deputado federal Benes Leocádio já se colocou como candidato, atraindo a simpatia dos bolsonaristas locais, que contam com as ações de Rogério Marinho, que opera o orçamento para privilegiar prefeitos aliados, uma tática política típica da República Velha, mas que tem raízes profundas no nosso cotidiano.
 
A questão colocada, nesse momento, é a capacidade política que terá Fátima em manter sua base política de apoio e, quem sabe, aumentar seu poderio atraindo o sempre presente Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o eterno camaleão político, o que poderá significar rifar a vice-governadoria, hoje ocupada pelo PCdoB e que, pela postura do vice, Antenor Roberto, deixou de ser um cargo decorativo e desinteressante, ou seja, embora pequeno e sem deputados estaduais, o partido tem se mostrado uma força que auxilia, de fato, o governo de Fátima.
 
Muita água vai rolar nesse moinho político e o cenário provavelmente reservará, para as forças democráticas e progressistas, um leque de escolhas que pode se refletir na própria força eleitoral de Fátima Bezerra. O importante é deixar bem claro que, para a esquerda, a defesa desse governo, com todas as suas limitações e incongruências, é fundamental para manter afastada do governo estadual essa horda que dilapida o erário há décadas; que não tem uma efetiva pretensão de retirar os milhares de potiguares da pobreza; e que vê nosso estado como uma eterna fazenda.