Wellington Duarte

31/10/2020
 
Natal é uma cidade bolsonarista? 
 
 
De acordo com a pesquisa da Consult, divulgada ontem (29), Natal é uma cidade digna de aparecer na série The Walking Dead, tal é o horror de como o eleitor se situa. O atual prefeito Álvaro Dias, bolsonorista de ocasião, amealha nada menos que 45,2% das intenções de votos e tem a aprovação de 62,2% dos natalenses; o segundo mais lembrado pelos natalenses é o fanfarrão bolsonarista, o tal “delegado” Leocádio, com 7,2% das intenções de votos, embora seja o candidato mais rejeitado pelos eleitores consultados. É uma tragédia civilizatória.
Mas, calma, o pior está por vir. O mandrião do Planalto, do alto da sua ignorância, reacionarismo e incompetente, é APROVADO por 50,1% dos eleitores instados a responder, enquanto a governadora Fátima Bezerra, que tem de gerir uma massa falida chamada RN é REPROVADA por 67,4% dos consultados. É uma completa inversão de valores e o natalense parece mergulhar no reacionarismo, o que não é nenhuma novidade.
 
Para vereador Preto Aquino (1,70%), Luiz Almir  (1,40%), Nivaldo Bacurau (1%), Kléber Fernandes (1%), Fernando Lucena (0,9%) e Ranieri (0,9%), foram os mais lembrados. 15,4% dos entrevistados não votaria em nenhum candidato e 42,4% ainda não sabe em quem votar. Claro que essa pesquisa, assim como as outras, não revela o cenário, pois as variáveis que formam o mosaico eleitoral dos vereadores, são mais complexas e levam a uma eleição que é muito confusa, especialmente agora que um tsunami de mais de 700 candidaturas caiu sobre a cidade e o festival de aberrações está presente no dia a dia.
 
O que explica esse reacionarismo? O que torna o natalense tão atrasado na política? Ora, antes de responder é bom olharmos para a Europa e vermos alguns países, governados por aberrações fascistas; reacionários conservadores e a composição dos parlamentos, com partidos neonazistas e fascistas amealhando votos da sociedade. O BraZil está dentro desse redemoinho reacionário e Natal, uma cidade desigual e cheio de contrastes, não escaparia desse cenário.
 
É comum vermos apoiadores de Bolsonaro nas camadas mais baixas da população, não porque a maioria goste de Bolsonaro, mas porque os parâmetros estabelecidos para a aprovação se inserem numa relação confusa entre a vida do indivíduo e o que lhe é passado todos os dias, desde que acorda; no trajeto para o trabalho; no almoço e quando ele chega na sua residência e se arrasta para a frente da “telinha”, com a Globo, Record, Band e SBT inundando seu cérebro com notícias distorcidas e com uma escandalosa campanha pró governo das três últimas.
 
Se não é esmagado pelo trabalho, o pobre está desempregado ou simplesmente deambulando pelas ruas como autônomo, numa desesperada busca pela sobrevivência e isso o torna muito suscetível às propagandas derivadas dos “mercadores da fé”, que primam pela destruição do indivíduo e a sua “ressurreição” como “temente a Deus”, manipulado e manuseado a favor das trevas da ignorância, espaço onde Bolsonaro trafega galhardamente.
 
Não é surpreendente, também, encontramos bolsonaristas nas camadas médias, entre os professores, servidores públicos, militares, grande parte da categoria dos médicos e de vários outros profissionais liberais. Como Natal é uma cidade dos serviços (dentre eles o comércio) e administração pública, não é de se estranhar esse pensamento conservador.
 
A classe média,  doutrinada (militares de maneira geral); tem medo da pobreza, que deseja longe de seus  muros; que compartilha a visão de mundo do Bolsonaro, que não exige retoques culturais e que prima pela brutalidade e ignorância, algo que a classe média apoia, embora nos domingos cantarole hinos religiosos, se diga “homem de bem” e, ao mesmo tempo, adora a ideia de grupos de extermínios matando pobres e negros e aceita uma sociedade “controlada” (controle para os outros, é claro), é o esteio desse apoio a Bolsonaro.
 
Natal não é pior nem melhor do que as outras capitais por ter essa empatia com Bolsonaro; por conviver harmonicamente com a corrupção; e por flertar com a violência policial, contanto que seja na periferia. Seus quase 900 mil habitantes e pouco mais de 500 mil eleitores parecem querer ser governado por um chefete regional decadente, e por uma Câmara de Vereadores recheada de personagens grotescos.