Renisse Ordine

27/02/2020
 
Para mulheres, porém escritas pelos homens, assim era a revista Espelho Diamantino
 
 
Se as mulheres ainda hoje enfrentam dificuldades para se expressarem com liberdade e respeitadas pelas suas opiniões, imaginem como era no inicio do século XlX, quando as revistas começaram a fazer parte da vida social do país!
 
As revistas surgiram na Europa, no séc. XVIII, e foram aos poucos se popularizando como um novo meio de comunicação até chegar ao Brasil pelas mãos da Corte Real Portuguesa. Seguindo os moldes da época, inicialmente, as revistas eram destinadas ao público masculino, e abordavam diversos temas de interesse destinado ao seu público.
Vale ressaltar que, foi um longo processo para que as mulheres conseguissem tornar públicas as suas ideias, pensamentos e opiniões. Como exemplo, várias escritoras, que passaram a ter suas obras consideradas clássicas, não puderam assiná-las com os seus verdadeiros nomes, e se utilizaram para isso de pseudônimos masculinos para que os seus escritos pudessem ser publicados, respeitados e lidos com seriedade. Podemos citar, escritoras como Jane Austen (Orgulho e Preconceito) e as irmãs Bronté: Charlotte Bronté ( Jane Eyre com o pseudônimo Currer Bell; Emily Bronté ( O morro dos ventos uivantes com o pseudônimo de Ellis Bell) e Anne Bronté ( Agnes Grey com o pseudônimo de  Acton Bell).
 
Fato curioso é que essas escritoras optaram por não se casarem e constituírem famílias, pois o sistema patriarcal limitava as mulheres ao espaço doméstico, devendo sempre a obediência ao pai e sendo sombra do marido. O que as destinariam a serem seres sem voz e, que perderiam a liberdade para se dedicarem à escrita e a literatura.  
Por isso, nada foi tão significativo para a sociedade brasileira, do que o lançamento da revista “Espelho Diamantino”, um periódico destinado às senhoras da elite brasileira. Uma exclusividade que provocou os moldes sociais, que não via a mulher como alguém que deveria ter consciência sobre os assuntos que dominavam a realidade do país e, principalmente, deveriam ter opiniões formadas como os homens. 
 
A publicação dessa revista foi algo inovador para a sociedade, que apesar de não abrir espaço para as mulheres publicarem ou se manifestarem sobre as matérias, eram escritas por homens, que certamente se divergiam sobre a insignificância do papel da mulher na sociedade. 
 
Ela trouxe um novo significado a imagem das mulheres, apesar do curto período de sua circulação (1827- 1828), destacando e conscientizando a sociedade de que novos tempos estavam por vir com matérias que abordavam ciência, politica, moda e artes, escritas em francês. 
 
Porém, os textos não incitavam o “Belo Sexo”, as mulheres, para que saíssem de suas casas, ao contrário, o papel da mulher mãe e dona de casa era reforçado. A diferença estava no modo em que elas deveriam ser também valorizadas como ser social.
 
Certamente, a Espelho Diamantino foi um grande passo para a (r)evolução feminina e sua conscientização como  um ser  que pensa, ouve e fala. Após o fim da revista, outras revistas surgiram sempre apontando uma nova visão de mundo às mulheres, o que possibilitou essa transformação do sexo feminino, da dona de casa a mulher empoderada, que luta pelo que deseja.
 
Como também, a sua história e significância destaca a importância do papel informativo da imprensa, que tem o poder de influenciar o pensamento da sociedade. A imprensa consegue, sim, direcionar os rumos de uma nação, por isso, deve-se valer sempre, a responsabilidade dos profissionais da comunicação com o seu leitor.