Professor do IFRN desenvolve método alternativo para detectar doença infecciosa

26/09/2019


Foto: Pesquisador Carlos de Oliveira. Foto: Patrícia Mesquita
 
O professor do IFRN - Campus São Paulo do Potengi, Carlos Henrique Bezerra de Oliveira, desenvolveu um método alternativo para detecção da toxoplasmose. A pesquisa “Comparação e métodos de identificação de imunoglobulinas para diagnóstico da toxoplasmose” foi realizada como tese de doutoramento do professor, na Universidade do Minho - instituição que mantém um acordo de cooperação com o IFRN desde 2012 -, localizada em Portugal. 
 
O objetivo da pesquisa foi desenvolver um método inovador utilizando o aparelho espectrofotômetro para detectar a presença de anticorpos anti-toxoplasmose por meio de exame que, segundo o professor, apresenta resultados promissores e pode substituir os métodos atuais. Atualmente os exames utilizam 30 ml de sangue, diferentemente do método resultante da pesquisa, que promete baixo-custo (ao operar com o espectrofotômetro), e fazendo uso de apenas 5 ml de sangue com a mesma eficiência dos procedimentos já empregados no mercado.
 
A toxoplasmose é uma infecção causada por um protozoário chamado “Toxoplasma Gondii”, encontrado nas fezes de gatos e outros felinos, que pode se hospedar em humanos e outros animais. Sendo ocasionada pela ingestão de água ou alimentos contaminados, a doença é uma das zoonoses (doenças transmitidas por animais) mais comuns em todo o mundo. De acordo com dados do Ministério da Saúde, uma em cada três pessoas no Brasil tem toxoplasmose.
 
A doença se manifesta sem sintomas e afeta, majoritariamente, os recém-nascidos e portadores de doenças imunológicas. No caso de mulheres, a infecção durante a gestação, pode levar ao abortamento ou ainda, ao nascimento de crianças com icterícia, macrocefalia, microcefalia e crises convulsivas. "O novo método de identificação da toxoplasmose, desenvolvido a partir da espectrometria, é realizado principalmente por grávidas para evitar a toxoplasmose congênita. Ele é muito importante principalmente na fase gestacional, pois a doença pode causar danos irreversíveis ao feto”, elucida Carlos.
 
A partir dos resultados encontrados em sua tese de doutoramento, o professor espera que o método possa ser adotado por instituições de saúde pública. “A utilização de um aparelho mais barato e de fácil transporte facilita o rastreio da doença para que o poder público possa criar política públicas de prevenção”, explica o pesquisador. O rastreamento e levantamento da doença é  relevante para a saúde pública, pois mapeia casos e permite que sejam tomadas providências para evitar surtos e epidemias. ​