Opinião

Presidente do Corecon-RN fala de 2017 e expectativas para 2018

As expectativas do Conselho Regional de Economia-Corecon-RN divulgadas nesta semana, é de que a economia nacional fecha o balanço do PIB positivo em 2017 na faixa dos 0,7%, considerando-se como um ótimo resultado.


17/01/2018

Foto: Redação do PN
As expectativas do Conselho Regional de Economia-Corecon-RN, divulgadas nesta semana, é de que a economia nacional fecha o balanço do PIB positivo em 2017 na faixa dos 0,7%, considerando-se como um ótimo resultado, levando em conta que o país amargou dois anos consecutivos do Produto Interno Produto-PIB negativos, registrados em 2015 e 2016. Nestes dois anos passados foram acumulados os mais baixos índices dos PIBs da história, com mais de 7,2% negativos e com o agravante de serem consecutivos, que colocou o Brasil numa recessão sem precedentes da economia, registrando mais de 13 milhões de desempregados.
 
No início de 2017, com a inflação controlada e as taxas de juros e de desemprego em queda consistente, a enorme instabilidade política do contestado Governo Temer, acumulando graves denuncias de corrupção, ao lado dos escândalos da Lava Jato, que enlameou grandes grupos de empreiteiras e boa parte da classe política nacional, ainda assim, a economia ficou brilhantemente blindada e superou a avalanche de notícias capazes, em outros momentos, a destruir qualquer economia.
 
Assim, considerando todo este cenário conturbado e ainda as tentativas frustradas da aprovação da reforma da Previdência pelo Governo Temer, deverá ser aprovada com um placar bem apertado em 2018, embora que com mudanças bem mais tímidas dos que as desejadas pela equipe do Ministro Meireles, chagou-se ao final de 2017 melhor que em 2016 e com perspectivas igualmente mais otimistas para 2018.
 
A notícia ruim notadamente para os trabalhadores assalariados que fecha o noticiário econômico em 2017, com reflexos para o início de 2018, é que emplacados o mais baixo índice de aumento de nosso salário mínimo ao longo dos últimos 24 anos, registrados ainda na época do plano real, com um índice de reajuste do salário mínimo para 2018, de 1,81% abaixo da própria inflação. O resultado do baixo mínimo é reflexo do PIB negativo de 2016, cabendo aos trabalhadores assalariados no Brasil a passarem a receber apenas R$ 17,00 reais de aumento nominal, já que o mínimo passou dos atuais R$ 937,00 para R$ 954,00, a partir da próxima segunda feira(01). 
 
De positivo para a classe trabalhadora, em contra ponto com o baixo reajuste do salário mínimo, foi a queda acentuada e consistente da nossa taxa de inflação, que deverá emplacar este ano abaixo dos 3% a.a, mas que em 2018, já com a volta do crescimento econômico ainda que gradual, dever subir um pouquinho, algo em torno de 3,5 a 4%, mais abaixo do centro da meta de 4,5%. Esta pequena alta da inflação, na avaliação do Corecon-RN, não deverá assustar ninguém, será provocado pela natural recomposição de alguns custos Administrados pelo Governo e pela reposição de preços dos produtos no mercado, com a economia em ascensão em 2018.
 
Para o Presidente do Corecon-RN, economista Ricardo Valério Menezes, os primeiros sinais de recuperação econômica gradual, teve seu início com o impulso dado pelo crescimento do agronegócio, que alavancou logo em seguida a reação de outros segmentos da economia. Daí por diante, o Banco Central começou com redução da taxa Selic de forma mais consistente, o que levou para o menor patamar da história, de 7% a.a. Agora, no final de 2017, graças à inflação debelada e a taxa de câmbio sob controle, que foram fatores que contribuíram para um PIB positivo em 2017. Já para 2018, o PIB será melhor ainda, devendo ficar na faixa de 1,9 a 2,2% e em 2019, com um governo legitimado pelo povo, poderá surpreender a todos com algo variando entre 2,3 a 2,6%, dependendo do cenário mundial.
 
Caso o cenário mundial venha a ter uma reação superior à média atual situado entre 3 a 3,5%, o país pode vir a obter um PIB na faixa de um pouco superior a 3%, o que seria muito animador para recuperar parcialmente as perdas de 2015 e 2016, que acumulados mais de 7,2% negativos. “Isto ocorrendo, seria extraordinário comparativamente a esses dois anos históricos infelizmente de perdas, e iriam contribuir para a recuperação dos nossos empregos, que em 2018, continuarão na escalada de queda ainda gradual, porém, mais acelerada do que em 2017, devendo recuperarmos, pelas nossas estimativas, algo em torno de um milhão de empregos”, disse o Presidente do Corecon/RN.
 
Para o Corecon-RN, a taxa Selic em 2018, que serve com referencial dos juros da nossa economia, continua com víeis de baixa, podendo atingir números antes não sonhado nem pelos mais otimistas dos economistas, caindo para níveis entre 5 a 6% a.a, até o terceiro trimestre de 2018, e se mantendo estáveis até que o novo governo eleito seja empossado. Para o presidente Ricardo Valério, a diferença entre a manutenção do declínio da taxa Selic em relação a 2017, e o que ele espera e cobra do sistema financeiro nacional, que as taxas efetivas passem de fato a caírem de forma mais acentuadas para o mercado dos consumidores e empresarial, já que a taxa Selic teve uma queda expressiva, caindo dos 14.25% para os 7% no final de 2017, mas o mercado financeiro muito ganancioso e precavido pela elevada inadimplência, que já começa cair, inclusive, passe assim a abrir espaços para os Bancos baixarem consideravelmente a taxa de juros ao crédito direto ao consumidor e ao setor produtivo nacional. Somente com Taxas de juros mais atrativas e não as maiores do mundo, como o mercado financeiro insiste em praticar atualmente, só assim, será retomado, com mais agilidade, o crescimento nacional e a recuperação mais rápida da taxa de desemprego.
 
Os economistas alertam que os juros atuais, somente servem para estimular a prática de rentismo no Brasil, o aumento da dívida pública e da população em geral. Cobra o presidente do Corecon-RN, que as taxas de juros baixem em proporção similar e aceitáveis a exemplo do que o Banco Central aplicou na redução da taxa Selic, ao longo de 2017 e a continua em 2018, conforme espera todo o mercado.
 
O câmbio para 2018 deve continuar estável, mas seguindo com pequenas flutuações, de acordo o humor de Donald Trump e do líder coreano, entre outras variáveis internacionais, também de olho na temperatura e discursos poucos conservadores de algum candidato à Presidência da República.
 
Ressalva o Presidente do Corecon-RN em que pese a algumas medidas acertadas da equipe do Ministro Meireles em 2017. “Não podemos creditar a um Governo, tão impopular e com enumeras denúncias de corrupção, todas melhorias da economia nacional as boas tentativas de conter de forma correta o déficit público. O Governo Temer aproveitou-se e está surfando nos históricos ciclos de mudanças da nossa economia, marcada em nossa literatura econômica, de baixa e altas, inauguradas desde o Brasil Imperial até o Brasil contemporâneo”, afirmou Ricardo Valério.
 
Seguindo o curso de fim do ciclo natural recessivo, iniciado, agora no primeiro trimestre de 2017, graças ao ótimo crescimento do agronegócio e que culminou com a retomada do crescimento econômico também nos demais segmentos da economia, embora que ainda gradual em relação ao crescimento do PIB e lenta redução da taxa de desemprego. “Mas sem dúvida nenhuma, é um alento que teremos dias melhores em 2018”, diz o presidente.
 
Mas o Corecon-RN faz um alerta para que seja consolidada a retomada do crescimento econômico nacional: É preciso que o povo Brasileiro tenha apreendido a lição, que vote com muita mais responsabilidade e prudência, fazendo uma avaliação criteriosa dos seus candidatos e promovendo uma grande renovação do Congresso Nacional, notadamente escolhendo um Presidente da República, que seja um verdadeiro Estadistas, coisa que infelizmente, por enquanto ainda entre os postumamente, nenhum grande nome surgiu no atual cenário. “Mas, tenho convicção, que agora no primeiro trimestre de 2018, surja um nome novo, de um verdadeiro estadista, que possa ter a legitimidade de promover um choque de gestão que o Brasil requer. Precisamos notadamente de uma reforma política e tributária mais justa e de forma a valorizar uma melhor distribuição da renda, a partir de melhoria acentuada do compartilhamento das receitas tributárias nacional, pois necessitamos urgentemente de termos menos Brasília e mais Brasil”, conclui o presidente do Corecon-RN.