Opinião

O que esperar de 2018?

Professora da Rede Municipal de Parnamirim e Coordenadora Geral do SINTSERP escreve sobre suas expectativas quanto ao novo ano.

Por: Verônica Batista
13/12/2017

Foto: Redação do PN
“Faz escuro, mas eu canto.”
Tiago de Mello
 
Todos os anos, ao término de cada ciclo de 12 meses, vivenciamos momentos em que analisamos nossas vidas de forma que as expectativas e os desejos de um ano novo repleto de realizações e reorganizações nos fazem ter a esperança de dias melhores. 
 
Como dirigente sindical, nos últimos 2 anos, vi acontecer uma série de ataques aos mais pobres deste país. Vi a classe trabalhadora ser posta como bode expiatório num desastroso governo que sequer tem legitimidade popular para administrar, no entanto, conta com o aparato de uma grande parte do Poder Judiciário, com o apoio de grande maioria de um Congresso comprometido com as mais variadas formas de corrupção e por fim, com o aparelho ideológico que são os meios de comunicação de massa à seu serviço.
 
A ruptura democrática trouxe à tona uma agenda ultraliberal e com isso tivemos a aprovação da PEC 55, que congela os investimentos públicos por 20 anos, a Lei 13.429/2017, que materializou a tão reivindicada, pela casta empresarial, terceirização irrestrita e generalizada. Rasgaram a CLT, com um discurso baixo de modernização, sem que houvesse sequer um debate com a população. E por fim, o governo federal, tenta a todo custo, desmontar também a Previdência, com discurso falacioso e propagandas enganosas, a serviço, tão somente do mercado financeiro e de uma economia rentista, em que os investimentos sociais são completamente descartados. 
 
Fomos atropelados por uma onda conservadora de modo devastador. O pensamento da direita no mundo tomou fôlego de maneira inacreditável e deixa um rastro de destruição, principalmente para a classe trabalhadora. O movimento sindical está sendo atacado constantemente com fins de desestabilização para o esvaziamento da luta. E é nesse contraditório de necessidade de mobilização, de convencimento, mas também de desconstrução dos conceitos, concepções e crenças que uma nova tarefa urge: a de mobilizar a classe trabalhadora. Mobilizar para a luta comum é o nosso desafio atual.
 
Conseguir consolidar a unidade dos trabalhadores contra o neoliberalismo, e parafraseando o presidente da Federação Sindical Mundial, Michael Makwayiba, “o enfrentamento ao neoliberalismo tem a mesma urgência em todo o planeta”, se apresentando como tarefa de todas as entidades, grupos e militantes com viés progressista e principalmente com ideologia classista. Diante de todas as adversidades apresentadas em nosso meio, é inevitável que a realidade venha exigir um sindicalismo mais determinado, com o diálogo como instrumento nos mais variados espaços e na organização por local de trabalho, assim ficando mais perto de suas bases. 
 
Percebemos que nesse contexto de massacre, de alguma forma, o movimento sindical tem de fortalecer a sua unidade e construir mecanismos que potencializem ações conjuntas e efetivas. Não há possibilidade alguma de enfrentarmos essa agenda neoliberal se particularizarmos a luta. Como nos diz o presidente da nossa gloriosa CTB, Adilson Araújo: “ensaio do tempo vai demonstrando que o melhor caminho é combinar o jogo”. Precisamos entrar no debate de ideias e dialogar com a classe trabalhadora. Conquistar e convencê-la para essa batalha. Mas a resistência é nossa capacidade maior. Nunca foi tão necessário acreditar no verbo “esperançar”, na perspectiva de resistir e lutar para que essa esperança consiga vencer o medo.