Opinião

Antes do caos

2018 vem aí! Portanto, corram às prateleiras dos supermercados, estoquem comida, subam às colinas!

Por: Daniel Costa
05/12/2017

2018 vem aí! Portanto, corram às prateleiras dos supermercados, estoquem comida, subam às colinas! Tudo bem, eu sou um pessimista incorrigível e essa minha trágica visão do futuro é antes de mais nada uma maneira de precaução contra possíveis tempestades. Pode ser que elas não venham. E esse é o meu desejo. Mas é preciso estar com um pé aqui e outro acolá, de olho no pior cenário. Só assim fica menos doloroso ser arrebatado pela tragédia social que me parece crescer em progressão geométrica. Afinal de contas, com base em quais acontecimentos é possível pensar que o ano seguinte poderá ser melhor? 

O presidente continuará dando as cartas, mandando e desmandando no legislativo na boa companhia de uma turba de impostores. Além disso, esperam-se os grandes nomes da política capazes de tirar o país da bancarrota, principalmente porque Lula, neste atual momento de acirramento dos ânimos, não é sinônimo de estabilidade. 

O preço da gasolina sobe a cada mês. O gás também segue essa mesma toada. O IPEA reduziu a projeção do PIB. O salário não vem e a feira não pode esperar. Um jornal francês recupera o nosso velho slogan, tratando o Brasil como "une République bananière de 2010 millions d'habitants". A classe média perde os pequenos nacos de privilégio e a pobreza desce a escada para tombar na vala da miséria. As famílias dos sinais de trânsito estão de volta. Bolsonaro vem aí. Em outras palavras, a democracia virou pó. 

No cenário internacional, o negócio também não é animador. Nacionalistas adeptos de um discurso contra os imigrantes africanos somam 60 mil pessoas em uma manifestação na Polônia. Os Estados Unidos são comandados por Trump, e os psicopatas americanos parecem estar a crescer e a fazer escola até mesmo pelos lados de cá, como fez ver o adolescente que chacinou colegas de classe em Goiás. No mais, a Coreia do Norte continua de posse de um botão vermelho capaz de detonar uma bomba nuclear. 

Portanto, querido leitor, na virada do ano, durante o espocar do champanhe, não haverá muito o que festejar, a não ser pelo fato de termos sobrevivido a tão duro momento, suportando, inclusive, as derrocadas do ABC e do América. A sensação é a de que 2017 nos arrastou em correnteza para uma grande catarata chamada 2018. 

Mas como nem só de caos vive a humanidade, a boa notícia é a de que o mundo não vai se acabar. E em 2018 tem Copa. A seleção brasileira até que não vai mal das pernas e quem sabe o  genial e genioso Neymar não seja capaz de colocar os adversários para dançar uma balalaica. E assim a gente haverá de recuperar todos os sonhos perdidos e a estima, pelo menos durante a grande festa quadrienal do futebol. 

A verdade verdadeira é que, como dizia Leminski, "no fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto". Feliz 2018!