Opinião

Doismilidezessete: O que é? O que será?

Advogado público e escritor escreve ludicamente sobre o que espera e sonha neste ano que começou. falando de política e poesia, entre outros assuntos.

Por: Lívio Oliveira
13/01/2017

Foto: Arquivo pessoal

Recebi um chamamento de bons amigos, para que eu fale acerca do que acredito que virá – ou mesmo sobre o que desejo – relativamente ao ano de 2017. A partir daí o meu “status” passou a ser o de perplexidade total. Fiquei com os olhos esbugalhados, pensando em como resolver essa equação. E simplesmente porque...eu sei lá! Eu nunca soube mesmo! Vocês sabem, por acaso, algo sobre o ano que passou? Pois é...! Nem eu! E como ousaria saber qualquer coisa acerca do ano que começa, bem novinho?

Juro que não consegui entender nadinha do que aconteceu no ano passado, o marcante e inconfundível ano de 2016. Só sei que vai ser lembrado como “ano que não se perdoou”. Este (já estou pisando no seu chão) ano iniciado de 2017 me parece algo mais próximo à normalidade, até porque duvido que tantos acontecimentos perturbadores quanto os de 2016 possam se dar novamente num só período de seus trezentos e sessenta e poucos dias.

De qualquer sorte (êpa, que essa palavra é perigosa e ambivalente!), vou palpitar aqui. Na verdade, vou mais é propor aos deuses do tempo e da vida que nos socorram, mantenham a calma e a paciência, não transformando novamente as nossas existências em aventuras tão...tão errantes quanto foram as do derradeiro ano, já passado, porém jamais esquecido.

Lá se vão alguns dias de janeiro. E lá vão lançados os meus augúrios e pedidos, num barquinho e ao mar do tempo e sopros do vento (que os ventos sejam bons!). E vou numerando, para ajudar na conta e no conto.

Nos doze meses de 2017 (em todos eles) eu quero:

1) Primeiramente, claro: que esteja FORA, TEMER!

2) Que as cartas sejam escritas por amor e com amor, mesmo que ridículas; e não para a preparação de traições de quem se sente meramente “decorativo”, o que é também ridículo;

3) Que a arte prepondere sobre o cansaço do mundo e produza novos motivos para sonhar e viver;

4) Que a palavra seja sempre trabalhada, de modo a não ferir e a não causar danos éticos (e nem estéticos);

5) Que a Fortaleza dos Reis Magos e todo o combalido patrimônio histórico, arquitetônico e urbanístico do RN não se percam, nem neste ano e nem nos três mil anos que virão;

6) Que o surto reacionário e conservador seja bem reduzido, até ficar em nível de estabilidade racional e tolerável (se bem que isso é meio que impalpável);

7) Que a luta contra a corrupção (em todos os setores sociais e poderes estatais) continue. E que seja um combate “cem por cento” e não somente “sessenta ou sessenta e cinco por cento” (não podem ficar de fora nem quarenta e nem quarenta e cinco);

8) Que a seca dê uma trégua à população sofrida do Estado. E que os governantes saibam cuidar dos seus efeitos, protegendo o povo;

9) Que todos tenhamos educação em casa, na rua, no trabalho, no trânsito. Que tenhamos educação, simplesmente;

10) Que tenhamos saúde e brindemos a ela;

11) Que o medo se afaste e a virtude se aproxime. Que haja segurança e que a violência estatal não seja tão insuportável quanto aquela dos infratores “particulares”;

12) Que tenhamos e mantenhamos a fé. Seja lá qual for, porque toda fé merece respeito e jamais a exploração interesseira e desonesta (o que seria absoluta má-fé).

Ah! E que a POESIA prepondere em todas as coisas e seres!