Eudo Laranjeiras: "O transporte público no RN está abandonado"

08/01/2015


O empresário Eudo Laranjeiras, presidente da Fetronor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste) concedeu entrevista ao jornalista José Pinto Júnior no programa Conexão Potiguar, na Band Natal. Falou sobre as dificuldades do setor e sobre as expectativas com o novo governo. Confira:

 

Qual a sua avaliação do ano de 2014 para o setor de transportes?
Foi um ano difícil, de poucas ações de governo, e que nós tivemos uma perda de tempo. Na realidade, o Governo não geriu, não trabalhou, contratou uma empresa para fazer uma licitação e não concluiu, o ano terminou e a gente não viu esse processo pronto. Então é um ano que a gente considera perdido, infelizmente o transporte público nesse Estado vem sendo deixado de lado e cada vez em qualidade pior, pois essas empresas estão ficando sem condições de operar. Hoje nós temos mais de 80 cidades no Rio Grande do Norte que não têm mais transporte público por ônibus.
 
Há um debate na Câmara Municipal e no Executivo acerca do Passe Livre. Qual o seu olhar sobre esse projeto?
Eu acho justo. Tendo quem pague, se a Prefeitura tem condições de pagar eu acho justo, para aquele estudante realmente carente, e que seja para estudar, não para ir para praia dia de domingo. Temos um exemplo claro aqui que é o trem, cuja passagem é R$ 0,50 mas a tarifa do trem custa R$ 5,00 e o Governo Federal subsidia 90%. Eu acho que é justo que a população tenha um transporte de qualidade, visto  estão trocando as máquinas, e com um preço justo. Pena que isso só é para o trem, poderia ser para o transporte público no geral. Se todas as passagens fossem subsidiadas seria muito barato e todo mundo andaria de ônibus, mas infelizmente tem muita gente que não tem como pagar. Eu acho um bom projeto, tendo quem pague, porque não pode ser arcado só por uma parte da sociedade, tem que ser arcado por todos. Eu acho justo.
 
Atualmente o formato me parece injusto, onde quem menos ganha dinheiro é quem mais precisa do ônibus e paga sozinho ,aí a passagem fica cara, até mais de 3 reais.
A situação que se vê é a seguinte: quem menos tem, paga o transporte sozinho e ainda subsidia o estudante, a gratuidade, e isso todo entra na conta dele. É o Estado que faz a tarifa. É um subsídio cruzado, é o pobre subsidiando o pobre, então é uma lógica perversa.
 
O senhor  diz que quem faz a tarifa é o Estado, e em oura oportunidade conversando com o senhor havia uma crítica sobre uma determinada “caixa preta”  que o Estado não via. De que se trata?
A tarifa de ônibus a gente reivindica, como em todo serviço a cada um ano tem aumento de tudo, as empresas reivindicam, mas quem faz a tarifa é o Estado, dizem que é uma “caixa preta” das empresas,mas não são elas que fazem, e sim a Semob,, o DER, é o gestor do sistema  que determina quantidade de viagens, itinerário e tarifas. Então é injusto  se coloque para as empresas esse ônus de que existe uma caixa preta, não é verdade. O DER, o STTU tem lá as tarifas para quem quiser ver. É uma questão de má informação da população.
 
Qual a sua expectativa com relação ao governo Robinson Faria?
É grande, a gente espera e ele tem dito que vai ser um governo pé no chão, enfrentando os problemas. E um dos problemas que ele vai enfrentar é o transporte público. Tenho certeza que se o governador encarar de frente, montar uma equipe que queira trabalhar ele resolve o problema de transporte, porque o transporte tem uma coisa muito simples:  se vai precisar comprar 100 ônibus, que custa quase R$ 70 milhões, o investimento é feito pelo setor privado, pelas empresas. O Governo precisa apenas gerir o sistema,  o investimento do Estado é pequeno, precisa investir em cabeças boas, em técnica.
 
Na sua opinião quais as prioridades e sugestões que o senhor daria ao governador para melhoria do transporte público?
A priorização partiria do seguinte: temos hoje um sistema que tem quase 70% do passageiros do Estado utilizando transporte clandestino. Como o Governo não tem gerência no município, no estado essa é a realidade. Eles rodam na hora de pico, só levam as pessoas, sem gratuidade, sem estudante, e ele ainda não recolhe imposto. Quer dizer, o Estado abre mão de arrecadar impostos deles, e a nós ele não dá nenhum subsídio para que a tarifa fique mais barata. Se o Governo fizer uma desoneração do óleo diesel, do ICMS da tarifa, (tudo isso  é muito pouco com relação a arrecadação do Estado) ele com isso colocaria um tarifa mais acessível e nos daria condições de competir com o os clandestinos que não têm compromisso com o social, só com o próprio bolso.
 
Os empresários topariam dar um desconto na passagem na mesma dedução do imposto dado pelo Governo? O senhor assumiria esse compromisso?
Assumiria com certeza. Até porque quem faz a tarifa é ele, e ao desonerar um valor, imediatamente ele reduz a tarifa. Nós  aceitamos isso de pronto.
 

Fonte: Potiguar Notícias (Ed. 562)