Casos de depressão e ansiedade são mais comuns entre pessoas que tiveram Covid grave, aponta estudo

15/03/2022


Foto: Reprodução / Getty Images

 

Apontado como o primeiro a analisar os efeitos de longo prazo da Covid na saúde mental, um estudo foi divulgado nesta segunda-feira (14) na revista científica “The Lancet”. Resumidamente, os pesquisadores alertam que, quanto mais tempo uma pessoa ficou fora das atividades rotineiras por causa da doença, maiores as chances de essa pessoa ter tido algum impacto na saúde mental.

O foco dos pesquisadores foram as pessoas que não chegaram a ser hospitalizadas. Após a análise dos dados de pacientes de seis países, os cientistas concluíram que aqueles que ficaram acamados por sete ou mais dias foram os mais propensos a sofrer de depressão, angústia, ansiedade e distúrbios do sono.

No caso, para a maioria, o quadro persistiu por até 16 meses – período total que englobou o estudo.

Os pesquisadores ressaltam que, no geral, para pacientes que não foram acamados, os sintomas de depressão e ansiedade diminuíram principalmente dois meses após a infecção. Entretanto, aqueles que precisaram se ausentar por mais tempo das atividades do dia-a-dia foram os mais impactados.

Ao todo, foram analisados os quadros de 247 mil pessoas nos seguintes países: Dinamarca, Estônia, Islândia, Noruega, Suécia e Reino Unido. Desse total, 4% foram diagnosticados com Covid entre fevereiro de 2020 e agosto de 2021.

“Ao longo de 16 meses, os pacientes que ficaram acamados por sete dias ou mais continuaram a ter 50 a 60% mais chances de ter depressão e ansiedade em comparação com pessoas que não foram infectadas durante o período do estudo”, aponta a The Lancet.

“Nossa pesquisa está entre as primeiras a explorar os sintomas de saúde mental após a Covid-19 grave na população em geral até 16 meses após o diagnóstico. Isso sugere que os efeitos não são iguais para todos e que o tempo acamado é um fator-chave para determinar a gravidade dos impactos na saúde mental”, afirma Unnur Anna Valdimarsdóttir, da Universidade da Islândia, responsável por liderar o estudo.