Polarização entre Lula e Bolsonaro não é boa para a democracia, afirma Tarso Genro

24/09/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: Brasildefato.com.br

 

Nesta quinta-feira, em entrevista ao UOL, Tarso Genro, ex-presidente nacional do PT e ex-ministro da justiça, fez um balanço do cenário político do país, sobretudo no que se refere à disputa presidencial de 2022. Para o político gaúcho, não obstante o problema que a tendência de polarização entre Lula e Bolsonaro causaria ao país, o surgimento de uma terceira via, isto é, um nome que possa concorrer em condições de igualdade contra os dois líderes nas intenções de voto, seria de fundamental importância para a democracia.


Como argumento para a sua opinião sobre a disputa particular entre Lula e Bolsonaro, o petista entende que o atual chefe do executivo federal sequer deveria concorrer ao pleito, uma vez que representa um risco frequente às instituições republicanas.


"Eu acho que seria bom o surgimento de uma terceira via para o país. Não acho que seria saudável para a democracia brasileira que fosse uma disputa entre Lula e Bolsonaro. Bolsonaro tem que ser derrotado antes por impeachment ou politicamente nas eleições para não participar do segundo turno. Seria uma limpeza do protocolo político republicano do Brasil e das agressões que a extrema-direta tem feito a todas as instituições", declarou Genro.


Embora entenda o problema que a polarização representa para o sistema democrático, Tarso Genro fez questão de ratificar seu apoio a Lula, enaltecendo os predicados do ex-mandatário como chefe de estado. "Essas pesquisas que indicam Lula como preferido são previsíveis. O presidente Lula tem uma liderança extraordinária, os seus governos comparados com o do Bolsonaro são extraordinariamente positivos. O presidente Lula é o meu candidato, é a melhor possibilidade, óbvio", salientou.


Por fim, além de apontar a necessidade da construção de um cenário de segundo turno com dois candidatos que atendam ao “padrão civilizatório” e estejam no campo democrático, o ex-ministro teceu críticas a eventuais relações que o próximo presidente possa estabelecer com o centrão.

 

"Não quero dizer que o Centrão seja a mesma coisa, que todos são cafajestes, corruptos, manipuladores, acho que o Centrão tem políticos tradicionais de todas as áreas, alguns desviam para a ilegalidade para seus interesses pessoais e é o que caracteriza a hegemonia do Centrão. O próximo governo não pode depender de uma relação espúria na política que tem caracterizado o presidencialismo de coalizão no Brasil", disse Tarso Genro