O que são os pastores evangélicos: conservadores ou preconceituosos?

03/08/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: brasil247.com

 

Em uma igreja de Nova Friburgo (RJ), a pastora evangélica Kakau Cordeiro fez uma pregação inflamada na noite desta segunda-feira, incitando no seu público de fieis uma postura de contestação aos movimentos negro ou LGBTQUIA+). Apesar de ter apagado o vídeo, em que se refere às lutas de grupos específicos como "coisa de gente preta", a religiosa está sendo investigada pela polícia, que abriu um inquérito para apurar o provável crime de intolerância racial e homofobia.


Na sua explanação, filmada e disseminada nas redes sociais, a pastora ressalta o erro que os cristãos cometeriam ao defender ou levantar bandeiras de determinados grupos ativistas. Para ratificar sua mensagem, ela se utiliza de frases que suscitam a discriminação. “É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí. É uma vergonha, desculpa falar, mas chega de mentiras, eu não vou viver mais de mentiras. É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová em si. É Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira", esbraveja a evangélica. 


A evangélica, de acordo com as autoridades, será intimada nos próximos dias a prestar declarações sobre o episódio, assim como testemunhas também serão ouvidas. Se for condenada, Kakau Cordeiro poderá pegar de três a cinco anos de prisão pelo delito de intolerância qualificada, quando os ataques discriminatórios são difundidos diante da coletividade.


Após a repercussão negativa e as críticas que circularam no âmbito virtual, a pastora, em nota, se desculpou publicamente, salientando que sua intenção era somente a conversão pela fé em Jesus Cristo e que é totalmente alheia a preconceitos de qualquer natureza. 


Para a vereadora Maiara Felício (PT-RJ), também oriunda da região serrana do Rio de Janeiro, é preciso juntar um número considerável de advogados LGBTQIA+, negros e mulheres de Nova Friburgo, a fim de estabelecer a ideia de que a cidade repudia esse tipo de fala preconceituosa. “É um vídeo que evidencia a intolerância. Intolerância mata", declarou a parlamentar no seu Instagram.