Da Galiza/Espanha, experiência Educativa em tempo de pandemia

02/08/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Dr. Francisco José Santos Caamaño (Universidade da Corunha)

Da Galiza/Espanha, experiência Educativa em tempo de pandemia

Entrevista internacional concedida por Francisco José Santos Caamaño ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. O entrevistado é professor de línguas clássicas no Instituto de Monelos (Corunha, Espanha) lecionando no ensino médio e bacharelado. É mestre em Educação e Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) (pela Universidade Aberta da Catalunha) e Doutor em Equidade e Inovação Educacional pela Universidade da Corunha (Galiza/Espanha). No âmbito de seu doutoramento realizou estágio científico avançado em Ciências da Educação, na especialidade de Tecnologia Educativa, no Instituto de Educação da Universidade do Minho, com o projeto intitulado “Ecologias de aprendizagem na formação dos futuros mestres”. É, também, coordenador do projeto STEMbach, em colaboração com a Universidade da Corunha, que busca a promoção e o desenvolvimento de pesquisas científicas no ensino médio. Atualmente, seus alunos realizam cinco investigações no âmbito deste projeto, cobrindo tópicos muito diversos, como a radioatividade ou a percepção pelos jovens no ensino de música. Nesta entrevista fala da pandemia em Espanha, nos impactos com o encerramento das escolas, mas que “ainda não conseguiu matar a educação, que está viva com a chama do esforço de milhares de estudantes e professores que embarcaram na aventura de recorrer aos territórios inexplorados da virtualidade”. Aborda o seu caso pessoal, na coordenação do programa STEMbach, tendo sido possível encontrar maneiras de superar as dificuldades. Considera que a pandemia contribuiu para extinguir as últimas vozes dos tecnófobos no ensino, forçando-os a trilhar esse caminho do uso das TIC, sem sacrificar a humanidade suprema da Educação: “O vírus forçou estudantes e professores a se trancarem em suas casas, mas a tecnologia construiu pontes que nos permitiram superar o isolamento, comunicar, colaborar e sentir, de fato, às vezes, até mais próximos do que antes”.

1. Professor Dr. Francisco José Santos Caamaño como a pandemia impactou a dinâmica de funcionamento das escolas em Espanha?

A pandemia fechou escolas de Espanha durante a segunda parte do curso deste desastroso ano de 2020, mas ainda não conseguiu matar a educação, que está viva com a chama do esforço de milhares de estudantes e professores que embarcaram na aventura de recorrer aos territórios inexplorados da virtualidade, até então por explorar pela grande maioria desses grupos.

Nesta jornada, devemos destacar também a oportunidade oferecida pela disponibilidade de uma rica diversidade de mídias de Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC), que serviram como veículo para relativizar distâncias e tempos educacionais e mantiveram canais abertos de comunicação e interação entre professores e alunos.

Essas foram as grandes forças da luta pela educação: os estudantes e os professores, que multiplicaram suas forças por possibilidades tecnológicas.

2. Tomamos conhecimento de vossa atuação como coordenador do projeto STEMbach, iniciativa do governo da Galiza, em colaboração com a Universidade da Corunha. Quais as características e objetivos deste programa? Sobre o funcionamento no contexto da Pandemia que aspectos se destacam?

No meu caso, conseguimos que a interrupção forçada das classes presenciais afetasse em menor grau o desenvolvimento do programa STEMbach. Este programa é uma iniciativa do governo autônomo da Galiza que busca introduzir no mundo da pesquisa científica, em qualquer ramo do conhecimento, os alunos voluntários dos últimos dois anos do ensino médio, constituindo uma espécie de ponte entre o mundo do ensino médio e a universidade.

Como coordenador do projeto em meu centro educacional, minha tarefa era fazer com que os alunos participantes assimilassem algumas noções básicas do método científico e realizassem um projeto de pesquisa de interesse para eles, ao longo do ano seguinte, a partir da ampla gama que oferecia a Universidade da Corunha.

O fechamento das aulas nos surpreendeu quando já havíamos trabalhado nos conteúdos fundamentais e os alunos estavam se preparando para escolher seus projetos.

3. De forma mais detalhada, é possível fornecer informações sobre as atividades desenvolvidas no Programa, mesmo com o isolamento social, principalmente na colaboração com a Universidade da Corunha?

Praticamente de um dia para o outro nos vimos trancados, alunos e professores, cada um em sua casa, com alguma desorientação, porque não havia previsão do que aconteceria com o nosso projeto. No entanto, não demorou muito para vermos que todos nós estávamos unindo forças para continuar e concretizar nosso trabalho.

A Universidade, que foi fortemente alterada pela pandemia, também continuou a oferta anterior, e os alunos puderam escolher os projetos que mais lhes interessavam. É verdade que foi necessário adaptar-se às limitações dos novos tempos, como ocorreu, por exemplo, com um projeto de radioatividade que previa a realização de medições de gás radônio in situ, e que o confinamento impedia sua realização.

No entanto, foi possível encontrar maneiras de superar essas dificuldades, às vezes substituindo essas atividades por atividades similares ou simplesmente trocando a ordem do desempenho, quando possível.

Foi necessário recorrer a formas ágeis de comunicação, no nosso caso, o WhatsApp e o software de videoconferência para a coordenação dos diferentes grupos e participantes dos projetos, produzindo uma dinâmica e interações normais, que até excediam em número e frequência as que foram produzidas na sala de aula e deram curso fluido às tarefas que conseguimos realizar sem grandes problemas.

4. A partir da experiência concreta de educação educativa desenvolvida, qual o vosso pensamento sobre a relação entre educação, tecnologia e humanização?

Do mesmo modo que “o caminho é feito andando”, como disse o poeta Antonio Machado, também os professores e alunos que se viram nessa situação aprenderam com tudo o que andaram. Parece que, finalmente, ficou claro que a tecnologia está aqui para nos ajudar em nossa tarefa, desde que a utilizemos de maneira pedagógica e eficaz.

Na minha opinião, a pandemia extinguiu as últimas vozes dos tecnófobos no ensino, forçando-os, inevitavelmente, a trilhar esse caminho que percorre distâncias e tempos, sem sacrificar, como se dizia, a humanidade suprema da Educação.

O vírus forçou estudantes e professores a se trancarem em suas casas, mas a tecnologia construiu pontes que nos permitiram superar o isolamento, comunicar, colaborar e sentir, de fato, às vezes, até mais próximos do que antes.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

Fonte: Francisco José Santos Caamaño

 

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No original, em espanhol

 

De Galicia/España, experiencia educativa en tiempos de pandemia

1. La pandemia cerró las escuelas españolas durante toda la segunda parte del curso en este nefasto año 2020, pero en absoluto ha logrado matar la educación, que sigue viva con la llama del esfuerzo de miles de estudiantes y docentes, que se embarcaron en la aventura de recorrer los que, para la gran mayoría de estos colectivos, eran los territorios inexplorados de la virtualidad.

En esta travesía debemos destacar también la oportunidad que nos brindó la disponibilidad de una rica diversidad de medios TIC, que sirvieron de vehículo para relativizar las distancias y tiempos educativos y mantuvieron abiertas las vías de comunicación e interacción entre docentes y estudiantes.

Estas fueron los grandes fuerzas de la lucha en pro de la educación: los estudiantes y profesores, que multiplicaban sus fuerzas con la posibilidades tecnológicas.

2. En mi caso, la interrupción obligada de las clases presenciales conseguimos afectó en grado menor al desarrollo del programa STEMbach. Se trata este programa de una iniciativa del gobierno autonómico de Galicia que busca introducir en el mundo de la investigación científica, en cualquier rama del saber, a los alumnos voluntarios de los dos últimos años del bachillerato, constituyendo una especie de puente entre el mundo de la enseñanza secundaria y la Universidad.

Como coordinador del proyecto en mi centro educativo, mi tarea era lograr que los alumnos participantes asimilasen unas nociones básicas del método científico, y llevasen a cabo a lo largo del curso siguiente un proyecto de investigación de su interés, de entre la variada gama que ofertaba la Universidade da Coruña.

El cierre de las clases nos sorprendió cuando ya habíamos trabajado los contenidos fundamentales y los alumnos se disponían a elegir sus proyectos.

3. Prácticamente de un día para otro nos encontramos encerrados alumnos y docentes cada uno en su casa, con cierta desorientación, pues no existía previsión de lo que iba a ocurrir con nuestro proyecto. Sin embargo, poco tiempo nos costó comprobar que todos nosotros sumábamos nuestras fuerzas para seguir y llegar a buen puerto en nuestro trabajo.

La Universidad, que se vio fuertemente alterada por la pandemia, dio también continuidad a la oferta previa, y los estudiantes pudieron elegir aquellos proyectos que más les interesaban. Es cierto que hubo que adaptarse a las limitaciones de los nuevos tiempos, como sucedió, por ejemplo, con un proyecto sobre radioactividad que preveía la realización de mediciones de gas radón in situ, y que el confinamiento impedía realizar.

Sin embargo, se lograron hallar formas de salvar esas dificultades, sustituyendo a veces esas actividades por otras semejantes o simplemente intercambiando el orden de realización cuando era posible.

Hubo que recurrir a formas ágiles de comunicación, en nuestro caso WhatsApp y software de videoconferencia para la coordinación de los diferentes grupos y participantes en los proyectos, produciéndose finalmente una dinámica normal y de interacciones, que incluso superaron en número y frecuencia a las que se producían en la clase presencial y dieron curso fluido a las tareas que finalmente pudimos realizar sin mayor problema.

4. De igual forma que “se hace camino al andar”, como decía el poeta Antonio Machado, también los profesores y alumnos que nos hemos visto en esta situación hemos aprendido de todo lo andado. Parece que ha calado por fin que la tecnología está aquí para ayudarnos en nuestra tarea, siempre que la empleemos pedagógica y efectivamente.

En mi opinión, la pandemia ha apagado las últimas voces de los tecnófobos en la enseñanza, al empujarles sin remedio a andar este camino que salva distancias y tiempos, sin sacrificar, como decían, la humanidad última de la Educación.

El virus ha obligado a alumnos y profesores a encerrarse en sus casas, pero la tecnología nos ha tendido puentes que nos han permitido vencer el aislamiento, comunicarnos, colaborar y sentirnos, de hecho, incluso en ocasiones más juntos que antes.

 

 

 

 

 

Fonte: Dr. Francisco José Santos Caamaño (Universidade da Corunha)