Da Argentina, o enfrentamento pedagógico do Curso de Medicina na pandemia

13/07/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Fabio Sánchez Mazzaferri (Universidadade de Rosário - UNR)

Da Argentina, Fabio Sánchez Mazzaferri reflete sobre o enfrentamento pedagógico face à Pandemia do COVID-19

Entrevista internacional concedida por Fabio Sánchez Mazzaferri, médico e professor de urologia na Faculdade de Ciências Médicas na Universidadade de Rosário (Argentina). Nesta entrevista apresenta reflexões sobre o enfrentamento pedagógico da Pandemia do COVID-19, pois, para dar prioridade à saúde e à vida, as aulas presenciais foram suspensas e as atividades acadêmicas passaam a ser garantidas pela ensino a distância. Em sua universidade não havia uma plataforma consolidada de educação a distância, mas foram feitos, em um período muito curto de tempo, esforços significativos para melhorar as capacidades existentes e manter o vínculo instituição-professor-aluno de modo a prosseguir com o currículo escolar e controlar o processo de aprendizagem. Expressa  ainda sua visão sobre a situação social e econômico para o futuro de seu país, considerenando que a situação é muito complexa pois atingiu a Argentina num momento de crise e recessão que já existia, e que o fechamento das escolas, em sua forma presencial, produziu uma desigualdade significativa dentro dos países e ainda mais entre países ricos e em desenvolvimento. Em mensagem de esperança, entende que esta situação criou oportunidade de atualização do processo educacional e permitirá múltiplas aprendizagens na forma de pensar e de levar a diante o ensino tendo a tecnologia e a conectividade como aliados.

(A entrevista, realizada integralmente no idioma espanhol, conforme segue no final, foi traduzida para a língua portuguesa pelos autores da entrevista). 

 

1. Como você avalia a atividade docente no contexto da Pandemia da Argentina?

A Faculdade de Ciências Médicas da UNR, como as restantes faculdades do país, suspendeu a atividade de ensino presencial pela quarentena motivada pela pandemia do COVID-19, pois a prioridade foi cuidar da saúde e da vida. Ao mesmo tempo, buscou-se o direito de estudar, garantir o processo de aprendizagem e continuar as atividades acadêmicas por meio das aulas à distância. Até ao momento, as aulas presenciais e as mesas de exame presencial não estão autorizadas. A avaliação está sendo considerada para ser realizada, garantindo as condições de segurança e saúde no contexto atual da pandemia.

2. Com a objetividade possível, expresse a sua visão sobre a situação social e econômico para o futuro em seu país?

A situação social e econômica do nosso (Argentina) país tem sido complexa e aprofundada pela pandemia e pelo isolamento obrigatório imposto pelo governo nacional. Deve-se esclarecer que essa situação atinge em um momento de crise e recessão que já existe.

O fechamento do sistema educacional em sua forma presencial, provocado pela pandemia, e consequente mutação da aprendizagem à modalidade online, aumenta a lacuna educacional entre aqueles que têm acesso a um tutor particular, computador e conectividade e aqueles que não têm. Isso produz uma desigualdade significativa dentro dos países e ainda mais entre países ricos e em desenvolvimento.

De acordo com um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na América Latina apenas 34% dos alunos do ensino fundamental, 41% dos alunos do ensino médio e 68% dos alunos do ensino superior têm acesso domiciliar para educação a distância. Nos países desenvolvidos chega a 76%. Essa disparidade excede a educação, abrangendo outros aspectos da vida, como trabalho remoto e o comércio eletrônico.

Nesse contexto, a queda da renda familiar com a perda de empregos e a queda da atividade no setor informal podem afetar diretamente a educação. Evidências sugerem que uma crise prolongada levaria ao declínio da matrícula de estudantes no setor público, em certos grupos populacionais, bem como na educação privada nos centros urbanos.

3. Que transformações vê para o ensino presencial relacionado ao uso de novas tecnologias em função do isolamento social obrigatório em 2020?

Em nosso meio, não tínhamos uma plataforma consolidada de educação a distância, mas esforços significativos foram feitos para melhorar as capacidades existentes em um período muito curto de tempo. Isso permitiu manter o vínculo tutor-aluno, instituição-professor-aluno, alcançar o aluno com o currículo e controlar o processo de aprendizagem.

4. Uma mensagem de esperança para a sociedade brasileira?

A pandemia forçou, em tempo recorde, a reformulação das ferramentas de aprendizagem e criou oportunidade de atualização do processo educacional. Esta pandemia e isolamento social nos permitirá múltiplas aprendizagens na forma de pensar e de levar a diante o ensino tendo a tecnologia e a conectividade como aliados para divulgar os conteúdos educativos.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

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Versão original, em espanhol

 

Desde Argentina, Fabio Sánchez Mazzaferri reflexiona sobre la confrontación pedagógica frente a la pandemia COVID-19

 

1. La actividad docente en pandemia?

La Facultad de Ciencias Médicas de la UNR como el resto de las facultades del país suspendió la actividad docente presencial por la cuarentena dictada en virtud de la pandemia covid 19, dando máxima prioridad a cuidar la salud y la vida. Al mismo tiempo se buscó resguardar el derecho a estudiar, sostener el proceso de aprendizaje y darle continuidad a las actividades académicas a través de las clases a distancia.

Hasta el día de la fecha no están autorizados el dictado de clases ni las mesas examinadoras presenciales y se está evaluando implementar instancias de evaluación y de examen que puedan realizarse garantizando, en el actual contexto de la pandemia, condiciones de seguridad y salud.

2. Vision objetiva ante la situacion social y economica para el futuro de Argentina?

La situación social y económica en nuestro país se ha complejizado y profundizado con la pandemia y el aislamiento obligatorio impuesto por el gobierno nacional. Cabe aclarar que esta situación golpea en un momento de crisis y recesión ya existente.

El cierre del sistema de educación en su forma presencial por la pandemia y la mutación del aprendizaje a la modalidad on line, hace que se aumente la brecha educacional entre quienes tienen acceso a un tutor privado, computadora y conectividad y quienes no lo tienen. Esto produce una importante inequidad dentro de los países y más aún entre países ricos y los países en desarrollo.

Según un estudio de la OCDE, en América latina sólo el 34 % de los alumnos de la escuela primaria, el 41 % de los de la secundaria y el 68% de los de la terciaria tienen acceso en sus casas para educación a distancia. En países desarrollados llega al 76 %.

Esta disparidad excede a la educación abarcando otros aspectos de la vida como el trabajo a distancia y el comercio electrónico.

En este contexto, la disminución del ingreso familiar por pérdidas de empleo y la baja de la actividad en el sector informal puede afectar en forma directa a la educación. La evidencia sugiere que una crisis prolongada provocaría la disminución de la matrícula estudiantil en el sector público, en ciertos grupos poblacionales, así como en la educación privada en centros urbanos.

3. Transformaciones en la enseñanza presencial relacionada con el uso de nuevas tecnologías por causa del aislamiento social obligatorio en 2020?

En nuestro medio, no contábamos con una plataforma de educación a distancia consolidada pero se han realizados esfuerzos importantes para mejorar las capacidades existentes en un lapso muy corto de tiempo. Esto permite mantener el vínculo tutor- estudiante, institución-docente-estudiante, llegar con la curricula al alumno y controlar el proceso de aprendizaje.

4. Un mensaje de esperanza para la sociedad brasileña?

La pandemia obligó, en tiempo record, a reformular las herramientas del aprendizaje, pero generó la oportunidad de actualizar el proceso educativo. Esta pandemia y aislamiento social, nos dejará múltiples aprendizajes en la forma de pensar y llevar adelante la enseñanza teniendo a la tecnología y conectividad como aliada para divulgar los contenidos educativos.

 

 

Fonte: Fabio Sánchez Mazzaferri (Universidadade de Rosário - UNR)