Evandro Borges

05/11/2021
 
Superar as diferenças para fortalecer a democracia
 
A postura do Presidente da República na reunião de cúpula do G20, as maiores economias no planeta, a conferência do Clima em Glasgow na Escócia, a indiferença da OMC para com o Brasil e a manifestação na Itália com agressão a jornalistas, contribuiu ainda mais para o isolamento do país do concerto das nações, colocando em risco uma economia já cheia de solavancos, como foi o caso da constatação da semana na diminuição dos empregos formais no ano passado.
 
A situação da Amazônia aos olhos da civilização é crítica, em face da incapacidade do governo brasileiro de diminuir a desmatamento no decorrer dos anos, inclusive com a possibilidade concreta de perda de recursos internacionais para a convivência do ser humano com a floresta de modo sustentável, pois o clima e a permanência das boas condições do planeta para a continuidade da jornada humana estão relacionados de forma global.
 
A economia brasileira desde o período colonial foi montada em produtos primários, açúcar e mineração, depois o café e gado, sempre, com uma prática predatória no campo, de ocupações dos territórios sem muitos sentimentos de preservação, destruindo o meio ambiente e posteriormente, com muitas resistências se deu a industrialização, que precisa se modernizar para continuar competindo.
 
Uma característica marcante da evolução econômica brasileira foi as suas diferenças, o abismo de classe, a formação do povo brasileiro muito bem disposto historicamente por Darcy Ribeiro. A cultura do escravismo para se vencer como alertava o pernambucano Joaquim Nabuco, com a sua obra clássica o absolutismo, nos remonta uma dívida com os afrodescendentes e também, sem esquecer os povos originários.
 
O analfabetismo que atinge quinze por cento (15%) da população brasileira, que sequer, decodifica a língua materna, além do analfabetismo funcional. A  metade da população que tem uma renda mensal até meio salário mínimo. O desemprego crônico e subemprego. A falta de boas condições nas cidades, desde moradia, saneamento, transporte adequado, serviço público ineficiente são condicionantes que favorece a um cenário de violências e de diminuição da força da economia.
 
O novo ciclo já em curso de forma inexorável das novas tecnologias, denominadas por muitos por “datismo” opera uma transformação, que não vai permitir a falta de capacidades e “expertises”, não será mais possível conviver com tamanhas diferenças, de conviver com o analfabetismo, a pobreza absoluta, o meio ambiente desequilibrado. A inclusão social vai precisar ser verdadeira, ou então vai se necessitar de muitos programas compensatórios para uma acomodação e evitar os guetos (condomínios e shoppings fechados) e que as relações humanas sejam apenas, pelos mecanismos da internet entregues as imensas corporações.
 
A superação das diferenças brutais das classes sociais, de uma economia neoliberal exacerbada, um Estado ineficiente, da violência consiste em dimensões que urge a superação com o fim de fortalecimento da democracia, do pluralismo, da convivência pacífica das nossas diversidades sejam de que naturezas forem. Evitando assim os atrasos e retrocessos civilizatórios, como foi em dado momento voltar a surgir teses medievais do que a terra seria plana, quando já está se descobrindo planetas em outras galáxias.