Daniel Costa

10/08/2021
 
AMANTES DA DITADURA
 
 
Não sei se vocês já notaram que existem eleitores que são verdadeiros entusiastas do nascimento de uma ditadura bolsonarista no país. Essas pessoas desejam a força da chibata para qualquer um que resolva discordar do atual presidente. É interessante perceber que elas diferem dos apoiadores que não entendem nada de conjuntura política: os reféns das falsas notícias. Esses são apenas pobres iludidos que sofreram um processo de “frankesteinização”.
 
Os apreciadores da ditadura são de outra estirpe. Eles sabem muito bem o que se passa. Mas mesmo assim continuam a achar bonito o topete presidencial à moda Hitler. São pessoas esclarecidas, com curso superior na bagagem e que têm capacidade intelectual para entender o que está a acontecer quando Bolsonaro espinafra com o presidente do TSE e ataca o voto eletrônico.
 
Elas agem dessa forma porque desejam a volta de um regime ditatorial; sonham com um governo que não possa ser contestado e que impeça o retorno de ações capazes de amenizar a desigualdade reinante. Nada de mexer no “direito” de ter duas babás e uma empregada doméstica, por tempo integral e pagando dois tostões. Nem pensar em ter que novamente dividir o avião com o pedreiro que construiu a sua casa. O bom mesmo é continuar fustigando negros, nordestinos, mulheres e gays sem qualquer preocupação com o tal do politicamente correto. Para os apaixonados da ditadura, o interessante é que esses incomodados peçam permissão para existir ou se calem de uma vez por todas. E tanto melhor se o governo colocar logo uma corda com cinco ou seis nós na boca da multidão.
 
É por isso que os amantes da ditadura continuam a apoiar Bolsonaro e os seus ataques à democracia. Eles compreendem o que um regime de força representa em termos de ausência de liberdades. Mas não têm nenhum problema em ver o presidente agir como a rainha de copas de Alice, desde que seus interesses sejam preservados.
 
Eles só ainda não têm coragem de externar essa vontade. Daí porque se escondem reverberando o discurso pronto do combate à corrupção, da ojeriza à esquerda e outras coisas do tipo, mesmo quando o laranjal do Queiroz e o “roçoio” no Ministério da Saúde digam que as coisas são bem diferentes. Mas que ninguém se engane. No caso do surgimento de um governo autocrático, os desejosos da ditadura serão os primeiros a tomar as ruas em comemoração à perpetuação dos seus privilégios e à possibilidade de o Estado encostar um 38tão na cabeça dos adversários.  São espécimes já conhecidas da arqueologia política brasileira, que se deram bem no infortúnio de 64.