Wellington Duarte

26/06/2021
 
 
A pandemia empurrou os pobres para baixo e os ricos para cima
 
 
O que é mais irritante nessa pandemia, é a constante tentativa dos meios de comunicação e dos especialistas de meia pataca, boa parte deles economistas leitores de manuais dos anos 60 do século passado ou de “leitores de olheira de livros”, de tentar dar um tom otimista à economia do país. Para quem tem o conhecimento básico da CIÊNCIA ECONÔMICA, as afirmações de que “estamos saindo da crise”, que “as coisas estão melhorando” ou que “em 2022 vai ser bem melhor”, são uma agressão a inteligência e ao bom senso.
 
O anúncio de que o Banco Central anunciou que as expectativas de crescimento do PIB para esse, é de um aumento de 4,8%, ao contrário de ser motivo para soltar foguetões, simplesmente revela nossa debilidade, já que no ano passado a queda foi de 4,5%. Qualquer beócio entenderá que, portanto, esse crescimento, é, por enquanto, um delírio. Mais concreto é a inflação dos últimos doze meses, que já bateu os 8,5%, de acordo com o IBGE, e isso tem impacto fortíssimo, principalmente nas camadas mais pobres da população.
 
Com apenas 15,1% da população vacinada, considerando “vacinados” os que tomaram as duas doses e os fariseus que vivem entoando que o “BraZil está melhorando”, caso dos articulistas da Globo News, consideram que apesar do fato de que os 350 mil braZileiros que buscaram emprego no primeiro trimestre desse ano, NENHUM teve sucesso, número tão significativo quanto estarrecedor.
 
Aliás o governo tem agido como uma praga de gafanhotos, destruindo tudo por onde passa e em todas as áreas. A substituição do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) pelas estatísticas do eSocial (Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas), que está em fase de transição, obscureceu as informações sobre a real situação do mercado de trabalho no país, justamente neste momento em que políticas públicas DEVERIAM estar sendo discutidas para minimizar o já catastrófico efeito da pandemia sobre os trabalhadores.
 
E por que essa mudança é danosa? Porque ela passa a depender de dados fornecidos pela empresa, que precisa estar registrada no eSocial e a maioria não fez isso ainda, além do fato de que as que aderiram informaram só as admissões e não os desligamentos, outras continuaram informando os dados ao finado CAGED e boa parte simplesmente não informou nada. Se é verdade que o eSocial, criado no governo Dilma em 2014, é mais amplo e pode fornecer cenários mais interessantes para a análise, a forma dessa transição é um desastre e revela a incompetência crônica de um governo que tem como característica a esculhambação.
 
Outro importante setor, o Banco Central, fez uma descoberta que pode se igualar a descoberta da roda, provavelmente, segundo arqueólogos, teria acontecido em algum lugar da Suméria em cerca de 3.500 anos antes de Cristo nascer. Segundo os especialistas do BC, tudo indica que a crise sanitária está associada ao declínio econômico, uma conclusão que talvez mude os destinos da Ciência Econômica daqui para frente.
 
Ao mesmo tempo os especialistas do BC detectaram que a relação entre a intensidade da pandemia e o nível de atividade econômica, está sendo menos intenso nesse ano e que, por isso, apresenta-se um cenário que tende a melhorar, embora o mesmo BC tenha admitido, ora vejam só, que a retomada da atividade econômica não esteja no ritmo imaginado pelos sábios pesquisadores.
 
Na realidade os cenários sociais são sombrios e os sinais dados pela economia são inquietantes, principalmente nos locais, como é o caso do RN, em que a estrutura econômica é pobre e atrasada, com pouco espaço para aplicação de políticas públicas que mexam nas cadeias produtivas que estão ligadas diretamente à esfera da produção, o motor da economia. Os otimistas de plantão são, em grande maioria economistas empregados em operadoras do mercado financeiro, articulistas ligados aos jornalões que defendem fervorosamente o neoliberalismo e por palermas metido a sábios, que pululam nas redes sociais, enaltecendo seu “achismo” e reverberando bobagens ridículas que, infelizmente, parece ter público cativo.
 
A economia não vai, no curto prazo, oferecer nada de positivo aos mais pobres e sim aos mais ricos, pois estes têm estofo patrimonial e proteção do governo, sob vários aspectos, e seus investimentos são de baixo risco. Levará algum tempo, talvez anos, dependendo de quem seja eleito em 2022, para o país recuperar a hecatombe social e a destruição maciça das instituições públicas, que vem sendo feita desde 2016 e aprofundadas por esse governo fascista.
 
Se há uma certeza histórica no capitalismo é a de que, em crise, os de cima sobem, e os debaixo descem.