Parnamirim

Eu e Parnamirim

Cantor, compositor e músico mipibuense fala de sua história em Parnamirim, cidade que, em suas palavras, lhe deu asas.

Por: Ismael Dumangue
16/01/2018

Foto: Redação do PN
Desde os quatro anos de idade, logo após o falecimento do meu pai adotivo, durante o período em que minha mãe precisou vir a Parnamirim para resolver a papelada que daria o direito a receber o abono que era devido, ela me trazia pra base aérea (meu pai era funcionário da mesma). Como criança, não prestava atenção na cidade que eu atravessava pra chegar a base. Com o passar dos anos, um primo rádio telegrafista reformado da marinha chamado Gerson, veio fixar residência em Parnamirim e eu vinha passar os finais de semana em sua casa pra ter acesso a assistir televisão.
 
Na época (anos setenta), na rua principal não havia asfalto, era calçamento e outras poucas com esse privilégio, as demais, no barro ou areia. Eu nunca pensei que Parnamirim iria se transformar na cidade em que habitamos hoje, pensar em vir residir aqui nunca passou pela minha cabeça, ora, São José de Mipibu era muito mais “animada” que Parnamirim.
 
Certa vez que passei o final de ano aqui, fiquei triste, não havia parque, nem lembro se houve queima de fogos, coisas que em Mipibu era tradicional, e as pessoas das cidades vizinhas vinham em caravana, lotavam as praças e havia vários parques, após a queima dos fogos, as pessoas voltavam a suas residências, mas uma boa parte ficava nas barracas ouvindo música através da boca de ferro ou pequenas radiolas a pilha, até o dia raiar.
 
Minha mãe adotiva faleceu nove meses após minha vó (que morava conosco) fiquei só, mudei pra cá e casei. Minha relação com a música vem desde a infância, mas foi aqui em Parnamirim que abracei a música de forma mais consistente. Fiz parte do Grupo Natureza, juntos com os meus ex-cunhados, e após o fim da banda, andei tocando em trios elétricos com Josias, um pintor de carros. Pra não me desligar do ofício, me arrisquei a fazer letras e melodias, no início não levava fé nas músicas, até que em um dos festivais do SESI onde participavam os funcionários das indústrias e outros artistas potiguares, no primeiro em que me inscrevi, classifiquei três músicas, no período em que trabalhei na TEXITA, me senti feliz pelo fato, mas por outro lado pensei, será que minhas músicas ficaram por ser boas ou as outras são inferiores as minhas? Ao participar do festival, percebi que estava a altura dos outros colegas de ofício. 
 
Parnamirim me acolheu e tenho construído aqui e continuo construindo um patrimônio imaterial que resultou em vários cds gravados, apresentações em várias partes do país, textos escritos, poesias, amizades que perduram e agora depois ser de forma indireta instigado por comentários de uma vizinha de loja que sempre me falava de um cordelista chamado Isaías. Seus comentários foram me inquietando e decidi fazer um cordel intitulado “Entranças do RN”, onde verso sobre suas riquezas e curiosidades do nosso estado. Essa é minha escolha e essa obra que venho lapidando ora com o cinzel da diversidade, ora com os regalos proporcionados pelos admiradores da arte, tornou-se visível as pessoas graças aos olhos sensíveis de mecenas que contribuíram e contribuem para o enriquecimento da arte em nossa cidade. Por fim digo: Mipibu me deu pés, Parnamirim me deu Asas.