Opinião

Marcelo Queiroz analisa: Um novo ano para o desempenho de varejo potiguar?

Presidente do Sistema Fecomércio RN escreve sobre suas expectativas para o desempenho de setor comerciário norte-riograndense.

Por: Marcelo Queiroz
31/01/2017

Foto: Divulgação
E chegou 2017! Ao final de um 2016, que marcou a história como o pior para o varejo desde que começaram a ser apurados números oficiais sobre o desempenho de nosso setor, teve início um novo ano, que trouxe consigo muitas esperanças de que possamos começar a mudar este jogo. Mas será que 2017 será, realmente, um novo ano para o desempenho de nosso varejo?
 
Infelizmente, a resposta a esta pergunta é: em termos. Para explicá-la, precisamos voltar um pouco a alguns números de 2016. Primeiro, falemos das nossas vendas. Enquanto escrevo este artigo, os números mais atuais de que dispomos são relativos ao mês de novembro. Até lá, a queda acumulada nas nossas vendas ao longo do ano era de 10,2% em relação ao mesmo período de 2015 e já amargávamos uma sequência de 17 meses de retração. Tivemos, em 2016, dois dos três piores desempenhos para um único mês em toda a nossa história. Foram 13,2% de queda em julho e 12,4% em janeiro. 
 
Outro dado assustador vem do emprego formal, este, sim, já consolidado e relativo a todo o ano de 2016. De acordo com os números oficiais do Ministério do Trabalho, no ano passado, tivemos um saldo negativo no RN de 15.806 vagas, um número 28,52% maior que aquele registrado em 2015, que teve saldo de -12.298 empregos.
 
Como maior empregador formal do Estado, o setor de Comércio teve saldo negativo de -3.778 e o de Serviços de -3.197, ou seja, juntos, eles tiveram -6.975 vagas no ano. 
 
Cabe aqui um parêntese para destacar que, em 2015, o Comércio fechou 2.237 e os Serviços tiveram saldo positivo de 529 vagas. Comércio e Serviços, juntos, tiveram saldo de -1.708 postos, naquele ano. Portanto, Comércio e Serviços tiveram, no ano passado, uma perda de vagas formais 308% maior que em 2015. 
 
Este comportamento do emprego formal era esperado. É um ciclo. Se não vendemos, geramos menos emprego. Com menos emprego, há menos dinheiro em circulação e, em consequência, o consumo cai. A queda no nosso potencial de geração de empregos foi sentida ao longo de todo o ano. 
 
Para finalizar esta marcha a ré nos números, lembremos aqui que terminamos 2015 com uma retração de 3,8% no PIB nacional e que as previsões mais otimistas afirmam que o PIB de 2016 deverá fechar com uma queda de 3,3 a 3,5%. Ou seja: caso seja confirmado o dado do PIB no ano passado, teremos começado 2017 com um buraco de mais de 7% no nosso PIB, o que representa uma perda de nada menos que R$ 420 bilhões da nossa produção interna.
 
Agora, vamos analisar 2017. É fato que temos visto algumas boas notícias. A aprovação da PEC 55 – que tem a enorme pretensão de dar os primeiros passos rumo à retomada do equilíbrio fiscal do Governo – é uma delas. Tivemos ainda o anúncio de medidas, ainda tímidas, de estímulo à economia (como a redução gradativa da multa extra de 10% paga pelas empresas quando demitem sem justa causa e a adoção, também gradativa, do E-social para as empresas).
 
Também podemos citar o fato de a inflação oficial de 2016 ter fechado em 6,29%, dentro do chamado “teto da meta”, e o anúncio de uma nova redução da taxa básica de juros, que foi a 13% ao ano. Foram, sem dúvidas, ótimas notícias. A volta do controle da inflação e a consequente redução da taxa de juros estão no centro do conjunto de fatos que têm o poder de impactar diretamente na retomada do crescimento econômico. Enxergo como muito positiva a decisão, até certo ponto arrojada, do Banco Central de reduzir, de uma única vez, 0,75 ponto percentual na Selic, porque, além de abrir espaço para que os juros, de uma maneira geral, possam começar a cair no país, também redunda em um alívio de caixa para o Governo Federal que, só no ano passado, pagou cerca de R$ 600 bilhões em juros da sua dívida. A queda na Selic, sobretudo da forma como aconteceu, também dá uma sinalização muito positiva ao mercado e tende a aumentar a confiança dos investidores.
 
Mas, mesmo diante dessas boas notícias, é inegável o fato de que nós ainda não podemos fazer uma previsão muito firme em relação a 2017. A meu ver, é muito pouco provável que apenas este ano, por mais promissor que ele seja, possa ser capaz de nos legar uma recuperação substancial de nossa economia. O que esperamos é que continuemos caminhando. Que possamos avançar com as reformas constitucionais (sobretudo a trabalhista, a tributária e a previdenciária), retomar o equilíbrio fiscal e voltar a estimular a economia. E que pelo menos nossas vendas caiam este ano menos do que caíram em 2016, ou até mesmo, o que seria o ideal, subam um pouco. Já terá sido um bom avanço.