Do Equador, reflexões sobre a Avaliação das Aprendizagens em tempos de pandemia

19/07/2020

Por: Andrezza Tavares (IFRN) & Bento Silva (Universidade do Minho)
Foto: Jorge Hamilton Leal Cevallos (Professor em Portoviejo)

Entrevista com Jorge Hamilton Leal Cevallos: “Do Equador, reflexões sobre a Avaliação das Aprendizagens em tempos de pandemia”

Entrevista internacional concedida por Jorge Leal Cevallos, doutorando em Ciências da Educação, especialidade de Desenvolvimento Curricular pelo Instituto de Educação da Universidade do Minho, em Braga/Portugal, ao portal de jornalismo Potiguar Notícias. O entrevistado é professor em Portoviejo, capital da província de Manabí no Equador e cursa doutoramento no Instituto de Educação da Universidade do Minho, sendo pesquisador do Centro de Investigação em Educação. Nesta entrevista reflete sobre a avaliação das aprendizagens em tempos de pandemia,  a partir da experiência educativa no seu país, o Equador, que no Plano Educacional adotado ("Vamos aprender juntos em casa") está a promover o desenvolvimento e a aplicação de um modelo de avaliação que privilegia as práticas que fazem parte de um processo de Avaliação Formativa. O entrevistado espera que as políticas relativas à aplicação da avaliação em tempos pós-pandemia continuem a apostar na avaliação formativa pois dá aos alunos maior possibilidade de sucesso escolar, além de se apresentar como uma experiência agradável. A entrevista, realizada integralmente no idioma espanhol (conforme segue no final), foi traduzida para a língua portuguesa pelos autores da entrevista. 

1. Na condição de pesquisador sobre avaliação das aprendizagens, qual a percepção sobre a adesão das instituições escolares em relação à avaliação?

Quem diria que, com a chegada do COVID-19, as múltiplas propostas que advogam que os sistemas educacionais optem por uma Avaliação de Aprendizagem que responda e tenha como objetivo promover e gerar uma aprendizagem significativa, ou seja, uma Avaliação para a Educação Aprendizagem ou Avaliação Formativa.

2. Tivemos conhecimento que no Equador, seu país, foi pensado um Plano de Educação para este tempo de pandemia. De que trata esse plano?

No Equador, o Ministério da Educação, encarregado de regular e administrar a educação nos níveis pré-escolar, escolar e médio, está implementando o Plano Educacional "Vamos aprender juntos em casa". O plano mencionado é proposto como uma resposta à incapacidade de professores e alunos de irem para escolas como resultado da pandemia global que estamos enfrentando.

3. E nesse plano, a avaliação também é abordada?  Se sim, qual é a modalidade de avaliação que é priorizada?

É interessante notar que com o trabalho pedagógico baseado em Guias de Aprendizagem semanais, alinhadas ao Currículo Educativo, conjuntamente se está promovendo o desenvolvimento e a aplicação de um modelo de avaliação que privilegia as práticas que são identificadas dentro de um  processo de Avaliação Formativa.

4. Pode mencionar algumas das práticas de avaliação formativa sinalizadas nesse plano?

Podemos começar por dizer que, para os alunos, o uso da Autoavaliação é um instrumento que lhes permite medir, conhecer e tomar decisões sobre o que devem aprender, com base em seus próprios resultados, e se apresenta como uma experiência agradável ao contrário do estresse e da ansiedade que, como sabemos, são produzidos pelos os testes ou exames sumativos.

Uma segunda característica, que reflete o uso de uma Avaliação Formativa, ocorre quando se solicita aos alunos que, para a coleta de evidências que confirmarão seus conhecimentos  (no valor de 70% da nota final), utilizem uma variedade de métodos de avaliação, como portfólios, trabalhos práticos, projetos, relatórios, reflexões pessoais, entre outros. Nesse sentido, uma avaliação variada dará ao estudante  uma maior possibilidade de sucesso escolar.

Uma terceira característica a destacar é o desenvolvimento e fortalecimento do Pensamento Crítico dos alunos. Nesse sentido, constatamos que a realização das atividades propostas em cada uma das Fichas Pedagógicas procura garantir que o Processo de Avaliação seja contínuo e que, consequentemente, esse processo seja capaz de gerar, pelos alunos ou com a ajuda de seus professores, aquelas perguntas que lhes permitem contextualizar, aprofundar e dar sentido às aprendizagens. Isso se complementa com o impulso ao trabalho autônomo e à autorregulação por parte do estudante.

5. O Plano de Educação também faz referência ao papel dos professores? Em caso positivo, em que aspecto?

No Plano faz-se menção à Gestão Pedagógica dos professores. O papel de professor se destaca por ser um ente que se assume como conselheiro que está em constante comunicação. O professor, com base na informação coletada e mediante a utilização do feedback/retoalimentação, consegue fornecer aos seus alunos atividades que lhes permitam chegar a atingir os objetivos de aprendizagem e, inclusive, melhorá-los.

6. Como professor e pesquisador, que compreende a relevância dos processos de avaliação das aprendizagens, qual o seu desejo em realação à avaliação escolar para o período pós pandemia?

Resta-nos esperar que as políticas relativas à aplicação da avaliação da aprendizagem em tempos pós-pandemia continuem a apostar nas práticas avaliativas para a aprendizagem ou práticas avaliativas da aprendizagem.

 

Nota: Esta entrevista publicada no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias (https://www.potiguarnoticias.com.br/) integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e impacto social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br. O link do Projeto de extensão e desta publicação também será socializado por meio do portal eletrônico do PPGEP/IFRN (https://portal.ifrn.edu.br/ensino/ppgep/paginas/entrevistas), bem como, por meio do portal eletrônico da Faculdade FAMEN (https://www.editorafamen.com.br/entrevistas/).

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Texto original, em espanhol:

Quien iba a decir que con la llegada del COVID- 19  se acogería las múltiples  propuestas que abogan para que los sistemas educativos opten por una Evaluación de los Aprendizajes que responda y está enmarcada en promover y generar un aprendizaje

 En el Ecuador, el Ministerio de Educación que es el encargado de normar y gestionar la educación a nivel pre – escolar, escolar y secundario, está implementación el Plan Educativo “Aprendamos Juntos en casa”. El mencionado plan se propone como una respuesta a la imposibilidad de los docentes y estudiantes de acudir a las instituciones educativas como resultado de la pandemia mundial que estamos viviendo.

Es interesante rescatar que con el trabajo pedagógico en base a Guías de Aprendizajes semanales alineadas al Currículo Educativo, conjuntamente se está impulsando el desarrollo y aplicación de un  modelo de evaluación que privilegia las prácticas que son identificadas dentro de un proceso de Evaluación Formativa.

Si nos preguntamos, cuáles son esas prácticas, podemos empezar que para los alumnos las utilización de la Autoevaluación como un instrumento que les permite medir, conocer y tomar decisiones sobre lo que deberían aprender en base a sus propios resultados, se presenta como  una experiencia agradable, contrario al estrés y ansiedad que conocemos producen los tests o exámenes sumativos.   

Una segunda característica que refleja la utilización de una Evaluación Formativa, se presenta cuando se le solicita al alumnado que para la recolección de evidencias que confirmarán sus conocimientos ( con valor del 70% de la nota final), utilicen una variedad de métodos de evaluación como, portafolios, trabajos prácticos, proyectos, informes,  reflexiones personales, entre otros. En este sentido, una evaluación variada dará al estudiante una mayor posibilidad de suceso escolar.  

Una tercera característica a destacar es el desarrollo y fortalecimiento del Pensamiento Crítico dentro del alumnado. En este sentido, encontramos que la realización de las actividades planteadas dentro de cada una de las Fichas Pedagógicas, busca que el Proceso Evaluativo  sea continuo y  que consecuentemente, este  proceso sea capaz de generar por parte de los estudiantes o con la ayuda de sus cuidadores, aquellas preguntas que les permitan contextualizar, profundizar y alinear los aprendizajes. Esto se complementa con el impulso al trabajo autónomo y la autorregulación por parte del estudiante.  

La siguiente  característica está vinculada a la Gestión Pedagógica de los docentes. El rol docente se destaca por ser un ente que asume como orientador que está en constante comunicación. El maestro en base a la información recolectada y mediante la utilización del feedback/retroalimentación consigue proveer a sus alumnos actividades que les permiten llegar a la consecución de los objetivos de aprendizaje  e inclusive mejorarlos. 

Ya en la parte final solo nos queda esperar, si las  políticas referentes a la aplicación de la evaluación de los aprendizajes en tiempos post-pandemia, continuarán apostando por las prácticas evaluativas para el aprendizaje  o las prácticas evaluativas del aprendizaje.

 

Fonte: Jorge Hamilton Leal Cevallos (Professor em Portoviejo)