Eliade Pimentel

21/02/2022
 
Roteiros dionisíacos esquecidos pelo sistema
 
O município de Nísia Floresta tem sua história marcada pelo protagonismo feminino através da escritora que batizou o nome da cidade. Além disso, tem praias, rios e lagoas que favorecem o lazer da população e atraem o turismo, atividades que têm garantido  algum trabalho e renda para a população. Sendo que esse lugar tão especial, tão rico de potencialidades, é muito esquecido, muito largado pelo sistema, pelo poder público, especialmente a prefeitura municipal. 
 
 
Há anos eu ouço falar em nomes de praias e lagoas, como é o caso do lindo lugar que conheci no final de semana, a lagoa de Boágua. Parte do trajeto para alcançar esse pequeno pedaço de paraíso é feito em estradas de piçarro, as quais têm sido bastante movimentadas por empresas que exploram veículos 4 x4, como os quadriciclos. Como não disponho de transporte próprio, dificilmente tenho oportunidade de frequentar esses destinos tão agradáveis pela própria natureza. 
 
 
No percurso, quase não se vê qualquer tipo de sinalização, as comunidades não são assistidas por transporte público, e a todo tempo é necessário estar de olho nos veículos, que passam em alta velocidade, deixando a poeira atrás de si. No caminho, têm-se a impressão de uma cidade-fantasmas, pois muitas chácaras, granjas e casas à beira das lagoas estão abandonadas. A insegurança tomou conta do lugar. 
 
 
Não há políticas de ocupação/desapropriação daquelas propriedades para projetos de assentamentos rurais ou iniciativas periurbanas, apesar de haver uma certa tradição com cultivo de subsistência por algumas famílias. As pessoas simplesmente foram forçadas pela insegurança a deixarem suas propriedades e não têm nenhum incentivo para voltarem. Então, a melhor opção seria realmente a partilha desses locais para pessoas que estejam precisando de terra para cultivar e casa para morar. 
 
 
E, por último, fui até a praia de Barreta, que fica no final da RN-063, a famosa Rota do Sol, e me encantei com tudo o que vi. Tomei um delicioso e relaxante banho de mar. Mas, também me decepcionei com a falta de estrutura pública. É inegável o quanto temos potencial turístico e de lazer, porém é necessário que tenhamos uma visão sustentável das atividades. Infelizmente, o que vemos é incongruente com preservação e sustentabilidade. 
 
 
Mais uma vez, faço um apelo para que a população seja mais assertiva e corra mais atrás de seus direitos, e que o poder público tenha responsabilidade sobre as
demandas sociais e ambientais. Lugares tão próximos dos centros urbanos e tão distantes da burocracia. Infelizmente, lugares abandonados pelo sistema público.