Eliade Pimentel

07/02/2022
 
Lá se foi mais uma Maria
 
Soube por uma amiga que Mariana estava com residência fixa na cidade que eu mais amo na vida, Baía Formosa. Não a conhecia sequer de nome, mas seu sobrenome era de todo conhecido. Filha do maior líder comunista deste país, Luís Carlos Prestes. E foi assim que tomei conhecimento de sua filha. Apenas de nome, inicialmente.
 
Apesar de eu ter uma vivência intensa com a gente de Baía Formosa, não costumo me entrosar com as pessoas que vêm de fora, geralmente são mais fechada, eu penso. Mas, a curiosidade de conhecer Mariana Prestes falou mais alto. Eu li sua história na matéria que minha amiga mandou. Nem lembro qual o veículo, qual site ou portal.  
 
E ficava meio que de olho para ver se eu me deparava com ela, pois num trecho da reportagem eu li que ela costumava andar tranquilamente pelas ruas da comunidade, como uma moradora igual às outras. Já gostei. Pessoa simples.
 
Até que a dona de uma creperia da cidade fez menção a alguém com naturalidade, sobre algum fato o qual não me recordo: “a Mariana”, como se dissesse, “a Mariana Prestes”,  e minha ficha foi caindo aos poucos. Até que um dia entre as mesas do empreendimento, ao ar livre, na calçada alta, ela própria, a Mariana, me apresentou sua mãe, Maria Prestes. 
 
Eu senti um misto de não sei o quê. Só imaginava a força daquela pequenina mulher, incansável mãe, companheira, comunista. De fato, eu não sabia quase nada de sua história, só deduzia o quão nobre era seu caráter justamente por saber com quem D. Maria convivera e criara seus filhos por tantos longos anos. 
 
Mais uma Maria que se vai e se faz presente para todo o sempre. Amém. Que aprendamos com ela, pequenina e forte. Abuela, como se despede sua neta, Ana Prestes, em um lindo depoimento. A gente se encontra algum dia para conversar sobre as belezas da vida, pois apesar de ter vivido tantas agruras, sua aura era leve por saber viver em paz consigo e com os demais entes a sua volta. 
Linda, Maria. Sua primeira imagem, sorridente, simpática, olhando-me com curiosidade, com a formosa baía ao fundo, de testemunha, jamais será esquecida. Adeus.