Valério Mesquita

13/07/2021
 
RELEMBRANDO UBIRAJARA MACÊDO
 
O saudoso jornalista Raimundo Ubirajara Macêdo lançou há vinte anos passados, o seu livro “... e lá fora se falava em liberdade”, na Capitania das Artes. Bira é macaibense nascido em Jundiaí e afilhado de crisma do meu pai Alfredo Mesquita Filho. Como funcionário do antigo Correios e Telégrafos foi colega de minha mãe Nair de Andrade Mesquita ao longo de muito tempo. Os seus pais foram Antonio Corsino de Macêdo e Alice de Almeida Macêdo.
 
Estudou no Atheneu. Como jornalista esteve em São Paulo onde trabalhou na  Folha, Editora Abril e Rádio Piratininga. Em Natal, deixou a sua experiência e talento na Tribuna do Norte, na A República, no Diário de Natal além das rádios Cabugi e Nordeste. Com Carlos Lima publicou durante alguns anos a revista “Cadernos do Rio Grande do Norte”. 
 
Esse foi o seu livro de estréia. Ubirajara Macêdo sempre foi um homem de idéias que enfrentou com coragem a injustiça social, o arbítrio e o desrespeito a cidadania. No curso exemplar de sua vida jamais renegou a sua identidade com essas causas revelando-se através de sua pena a presença do humanista, solidário com o seu tempo e atenado ao sentimento do mundo. O título de Cidadão Natalense que a Câmara Municipal lhe conferiu teve a dimensão intemporal do afeto. Foi orgânica pois se integrou a estrutura intelectual e a luta do próprio homenageado em defesa de suas idéias tendo Natal como sua trincheira. Ubirajara Macêdo na lide jornalística foi uma vida  em linha reta. Simples, sem ostentações, submetido a sacrifícios extremos mais teve a sua coerência com sua posição humana e política. É a injustiça quem faz o herói. É a irresignação que acresce o lutar e retempera a luta dos bravos. Daí o seu “... e lá fora se falava em liberdade”.
 
Por último, lembro Leon Blay: “O sofrimento passa, mas o ter sofrido nunca passa”. Salve Bira Macêdo!