Valério Mesquita

14/02/2020
 
A CALÇA MARROM
 
 
O almirante inglês Lord Nelson famoso estrategista das batalhas contra Napoleão Bonaparte pode ser um exemplo para certos, ousados e intrépidos políticos da nossa província submersa.
 
Conhecido pela sua destemida coragem, o Lord gostava muito de se jactanciar perante os seus comandados. Na terrível batalha de Tralfagar, a bordo da sua nau impertigável e altaneira, pediu ao observador da esquadra, que lhe informasse a quantidade e a posição do inimigo. Do alto do navio, ouviu que a frota francesa se resumia a quarenta ou cinquenta embarcações e navegava a bombordo. Ato contínuo, ordenou ao seu ajudante pra trazer-lhe a túnica vermelha para enfrentar o inimigo que já se aproximava. Explicou o condestável inglês que o casaco rubro disfarçaria o sangue, se porventura fosse atingido, a fim de não influir no ânimo da tropa real marinha britânica.
 
Ao cabo de alguns minutos, o Lord Nelson recebeu nova e inesperada notícia da torre de observação: “Não são quarenta nem cinquenta milorde, são quatrocentos navios de guerra!”. O almirante Nelson quedou-se pasmo e lívido. Virou-se para o seu ajudante de ordens e sentenciou calmo mas preocupado: “Traga-me a calça marrom”.
 
A bravura verbal de alguns guerreiros desse semiárido barrica-se por trás de um suposto conhecimento de suas potencialidades. Não sabem que no paiol de onde saíram, continua ardendo a chama acesa ou fogo fátuo de sua irresponsabilidade no trato da coisa pública. E ai, a explosão será inevitável.
Ei garçom, uma calça marrom, por favor!
 
 
Qualquer semelhança com os atores e atrizes da política do Rio Grande do Norte, é mera coincidência.