Em evento no RS, Bolsonaro volta a atacar Petrobras: 'Fatura às custas do povo'

07/05/2022

Por: Hanrrikson de Andrade - UOL/Brasília
Foto: Reprodução/ TV Brasil

 

Em discurso na Fenasoja (Feira Nacional da Soja), o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar a Petrobras, disse que o país "não aguenta mais um reajuste de combustível" e afirmou que a estatal "fatura dezena de bilhões de reais por ano às custas do nosso povo brasileiro".

 

Bolsonaro chegou à Fenasoja depois de participar de uma motociata na cidade de Santa Rosa, no interior do Rio Grande do Sul. O percurso foi realizado até o local do evento, a Arena de Shows do Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson. A cerimônia marca o encerramento da temporada de colheita da soja no país.

 

"Temos um governo que acusam, mas nada provam, sobre corrupção. Esta semana vocês estão conhecendo um pouco mais do que é a Petrobras aqui no Brasil. Temos nichos, redutos ainda em nosso governo, espalhados por todo o Brasil, que não entenderam que todos nós estamos no mesmo barco", disse.

 

Em live realizada na quinta-feira (5), Bolsonaro deu uma declaração distorcida também com o objetivo de atacar a Petrobras, maior estatal do país, e omitiu na ocasião que o governo é o acionista controlador —ou seja, o lucro da empresa garante verba para o caixa do governo e financia políticas públicas.

 

Durante a transmissão via Facebook, o presidente disse considerar que o lucro de R$ 44,5 bilhões da Petrobras —que dispararam no primeiro trimestre do ano e bateram recorde em 2021— é um "estupro" e "um absurdo". Sem mencionar que a União é dona da maior fatia das ações da petrolífera, Bolsonaro afirmou ainda que "o sacrifício do povo brasileiro" mantém "pensões gordas fora do Brasil”

 

Não é bem assim A declaração é distorcida, pois trata informações reais de forma enganosa. Apesar de acionistas estrangeiros representarem uma fatia relevante da composição acionária da Petrobras (45,12% do total), a maior parte das ações está nas mãos de brasileiros, segundo dados da própria companhia referentes a março.

 

Além disso, o estatuto da empresa obriga que a União —ou seja, o governo— seja o acionista controlador da companhia. Sendo assim, a Petrobras é uma sociedade de economia mista, com capital público e privado, mas continua sendo controlada pelo Estado brasileiro.

 

Em março, a União tinha 28,67% do capital total da Petrobras, ainda a maior fatia entre grupos acionistas, e a maioria (50,26%) das ações ordinárias — ou seja, as que dão direito a voto. Com isso, quando a Petrobras lucra, o caixa da União engorda.

 

O lucro recorde da petroleira no ano passado rendeu mais de R$ 37 bilhões ao Tesouro Nacional. Agronegócio O agronegócio é um setor fundamental na base política de apoio a Bolsonaro, que será candidato à reeleição em outubro.

 

 O governante se dirige constantemente a fazendeiros e produtores rurais, é defensor de pautas de interesse do setor (como a permissão para explorar terras indígenas) e conta com a adesão em massa de deputados federais que fazem parte das bancadas afins —como a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária.).

 

Durante o discurso na Fenasoja, Bolsonaro mencionou a entrega de títulos de propriedade como uma política de interesse do agronegócio. "Temos aqui uma parte do nosso agronegócio, que vocês bem sabem a importância que dou para o trabalho de vocês. Por isso, lá atrás, procuramos cada vez mais titular terras pelo Brasil para afastarmos as invasões do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra]"