“Meu pai foi executado na minha frente”, afirma menino ucraniano

07/04/2022


Foto: noticias.uol.com.br

 

Em entrevista por telefone à TV britânica BBC, o adolescente Yuriy Nechyporenko, de 14 anos, falou sobre a morte do seu pai, que, segundo ele, foi executado por um soldado russo diante dos seus olhos. De acordo com o garoto, ele e seu pai pedalavam na cidade de Bucha em busca de medicamentos, até que foram abordados pelo militar.

 

Segundo Yuriy, que concedeu a entrevista ao lado de sua mãe, o destino deles seria a prefeitura de Bucha, a 60km de Kiev, uma das mais atingidas com a guerra que já se estende por mais de 1 mês. Ademais, o menino contou aos jornalistas que, assim que viram o soldado, levantaram as mãos imediatamente e disseram que não representavam qualquer perigo. 

 

"Dissemos a eles que não estávamos carregando nenhuma arma e que não representávamos perigo. Então meu pai virou a cabeça na minha direção, e foi aí que ele levou um tiro... Ele foi baleado duas vezes no peito, bem onde está o coração. Então ele caiu”, relatou em tom de emoção. 

 

O militar russo, conforme palavras de Yuriy, também atirou em sua mão esquerda, levando-o ao chão. Quando estava caído, o soldado desferiu outro tiro, agora no braço do garoto. "Eu estava deitado de bruços, não conseguia ver nada do que estava acontecendo ao meu redor. O soldado atirou novamente, mirando em minha cabeça. Mas a bala atravessou meu capuz”, salientou. 

 

Ao ver seu pai morto e com o braço sangrando, Yuriy enfatiza que teve um ataque de pânico, se levantando apenas quando o soldado russo deixou o local. "Tive um pequeno ataque de pânico, deitado ali com o braço ferido debaixo de mim. Vi que minha mão estava sangrando. Não éramos um perigo para os militares, somos civis, usando lenços brancos para mostrar isso. Foi muito estúpido”, disse. 

 

A mãe de Yuriy, Alla, disse à BBC como encontrou o marido depois que o seu filho voltou para casa e contou a ela o que tinha ocorrido. Segundo ela, Yuriy poderia estar errado e que Ruslan estava apenas ferido, precisando de cuidados médicos. "Meu filho me implorou para eu não ir atrás dele. Ele disse que os soldados iriam me matar também”. Na sequência, ela registra que seu marido, de nome Rublan (49), era advogado e ajudava muitas pessoas que estavam com dificuldades devido à guerra.