Moro sobre anulação das condenações de Lula: “O STF manda o recado que o crime compensa”

17/03/2022


Foto: migalhas.com.br

 

Em entrevista à Rádio 96FM, de Natal-RN, nesta quinta-feira, o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) falou sobre a anulação das condenações de Lula na Lava-Jato pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o ex-ministro da Justiça, a Suprema Corte, com a decisão, manda um recado à sociedade de que o “crime compensa”. 

 

No que concerne à decisão dos magistrados, os quais determinaram a sua suspeição no processo que culminou na prisão de Lula, Moro ressalta que julgou o caso com imparcialidade e não houve qualquer perseguição de ordem política. "O erro não está no juiz, no Ministério Público, não está em Curitiba. Você tem de olhar para Brasília, olhar para o Supremo. Não teve perseguição coisa nenhuma", disse o presidenciável. 

 

Na exposição aos jornalistas potiguares, Moro, que também citou os nomes de Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, salientou que a anulação das condenações não representa a inocência do petista. "Todas as violações de leis feitas pelos governos anteriores, e pelo atual, não levaram o país muito longe. Então, se para governar você tem de violar a ética, a lei, no mínimo, o Brasil tem de crescer muito, e as pessoas têm de estar muito bem. Mas (o país) está estagnado", declarou. 

 

Em dissonância aos comentários de Sérgio Moro, Antonio Carlos de Freitas Júnior, especialista em direito constitucional, reforça, a partir de argumentos técnicos, a tese de que o ex-juiz de Maringá foi parcial no julgamento do petista. "Quem tem a responsabilidade de provar a culpa, de maneira honesta, é o órgão acusador. Outra fala crítica (do ex-juiz) foi dizer que Lula deveria estar na cadeia. Isso demonstra que ele é parcial e que estava desejoso por um resultado. O juiz não pode ter esse desejo. A fala dele só confirma a decisão do STF. Estava na cara que ele queria condenar", disse Freitas Junior.