“Bolsonaro virou as costas para nós”, diz líder de entidade ucraniana no Brasil

09/03/2022


Foto: bocamaldita.com

 

Em entrevista ao UOL News, nesta quarta-feira, Vitorio Sorotiuk, presidente da Representação Central Ucraniano-Brasileira, comentou sobre a postura adotada até o momento pelo governo brasileiro no que se refere à guerra no Leste Europeu. De acordo com o dirigente, Jair Bolsonaro (PL) “virou às costas para o povo da Ucrânia”. 

 

Como justificativa à declaração, Sorotiuk afirma que o mandatário brasileiro desrespeitou publicamente o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e os cidadãos do país, na medida em que rejeitou o convite para uma visita oficial, mas se encontrou com Vladimir Putin no mesmo período. A chegada da comitiva brasileira a Moscou aconteceu no dia 16 de fevereiro, uma semana antes do início do conflito armado. 

 

“O Bolsonaro ofendeu o presidente da Ucrânia e virou as costas para a gente. Ele apenas decidiu ir à Rússia e oferecer solidariedade ao Putin antes da invasão. Depois, disse que a posição era de neutralidade quando o segundo maior exército do mundo ataca um país pequeno. Espero que ele se comporte como presidente do Brasil, e não como Jair Bolsonaro", disparou Sorotiuk.

 

No que concerne a esse encontro, Bolsonaro, à época, ressaltou que era solidário à Rússia, apesar do acirramento nas tensões entre o país comandado por Putin com a Ucrânia e o iminente confronto bélico. Em carta, a entidade ucraniana mencionou a decepção com o governo brasileiro, além de enfatizar que a guerra também é um assunto que envolve o Brasil. 

 

“Nesta reunião ele [Zelensky] nos informou que já fez um convite para que Vossa Excelência visitasse a Ucrânia (...). Que Vossa Excelência aproveite a viagem a Moscou para também visitar o presidente Volodimir Zelensky em Kiev (...). Gostaríamos de expressar que o conflito na fronteira da Ucrânia com a Rússia é também assunto do Brasil. Milhares de brasileiros (...) têm suas vidas afetadas (...) temendo pela vida de seus ancestrais e parentes", complementou, se referindo à ligação entre os dois países,tendo em vista que há mais de 600 mil descendentes de ucranianos no Brasil. 

 

Ainda em fevereiro, por meio de entrevista coletiva, Bolsonaro adotou um tom irônico ao falar sobre Zelensky, relembrando seu passado como humorista e insinuando uma suposta incapacidade do presidente ucraniano em liderar a nação. "O povo [ucraniano] confiou num comediante o destino de uma nação. Ele [Zelensky] tem que ter equilíbrio para tratar dessa situação aí", salientou o ex-capitão.