Crise entre Ucrânia e Rússia pode afetar Brasil com mais inflação e menos exportações

23/02/2022


Foto: Reprodução

 

Nesta semana, o presidente russo Vladimir Putin autorizou o envio de tropas militares a regiões separatistas na Ucrânia. Apesar do conflito ocorrer no leste europeu, as ações podem ter consequências indiretas para países de todo o mundo, incluindo o Brasil.

Segundo especialistas, o conflito poderia acarretar em um aumento no preço de alimentos por conta das importações e exportações entre o mercado brasileiro e russo, além de uma alta nos combustíveis.

Até o momento, o Itamaraty disse acompanhar a crise com "extrema preocupação". Além disso, o posicionamento de Bolsonaro em apoio à Rússia desagradou aos Estados Unidos.

O Brasil é muito dependente da Rússia em relação a adubos e fertilizantes, e uma operação militar na Europa teria efeito direto no abastecimento.

Em relação a inflação, isso representa o impacto indireto mais preocupante que a economia brasileira pode sofrer devido às sanções econômicas impostas à Rússia, destacam economistas.

Combustíveis e alimentos são dois dos itens que mais pressionaram a inflação ano passado e, já este ano, seguem elevando os índices de preços.

A cotação mais alta do barril do petróleo acelera os preços dos combustíveis, enquanto trigo e fertilizantes valorizados impulsionam os custos dos alimentos por aqui.

Sobre exportação brasileira os mais afetados são grãos e carnes, casos da soja, aves, café não torrado, açúcar, amendoins e cortes bovinos, devido a Rússia ser consumidor destes produtos.

Uma redução das compras da Rússia implica na redução das exportações e, portanto, a entrada de dólares aqui no país. Por outro lado, o fechamento do mercado russo pode levar os produtores brasileiros a escoarem esses itens no mercado local. Nesse caso, os preços da cesta de compras do brasileiro poderiam ceder um pouco.

Outro tipo de impacto que a economia brasileira sofre das sanções econômicas impostas pelo G7 à Rússia está nos preços dos ativos. Todo cenário de conflito e instabilidade afeta o mercado financeiro que, naturalmente, opta por investir em moedas mais fortes, como o dólar.

Em oposição, as moedas, as ações e outros ativos de países de economias emergentes, como é a brasileira, passam por ondas de vendas, se tornando desvalorizadas em comparação as outras.

Os preços dos ativos brasileiros já estão sentidos esse aumento da tensão, com a redução da recente valorização do real e queda das ações no final do pregão de ontem.