MÉRTOLA, Visita de Estudo II…

11/02/2022

Por: Liliana Borges
Foto: Liliana Borges
 

Mértola é uma charmosa vila portuguesa, sede do concelho, pertencente ao Distrito de Beja a cerca de 235 km de Lisboa. O Município é fronteira com Espanha ao leste com 6.205 habitantes (2021).

A localidade sempre foi referência desde a época romana devido a sua posição estratégica, rica em minérios, como também, situada em uma das margens do Rio Guadiana, o qual faz ligação com o mar que favoreceu para ser uma cidade portuária e comercial no passado. Diante disto facilitou a comunicação com diversos povos, inclusive no seu porto chegavam produtos oriundos do Mediterrâneo e daí eram distribuídos pelo país. 

Continuando a “Visita de Estudo” com meus alunos da disciplina de “Turismo” da Universidade Sénior do Montijo, tivemos a honra de sermos guiados por Mafalda Silva, quem nos apresentou a cidade graciosamente iniciando pelo Núcleo de Tecelagem. 

O Núcleo é uma cooperativa que foi criado por iniciativa de três senhoras tecedeiras com o objetivo de não deixar morrer a tradição das mantas de lã e passou a desenvolver vários produtos artesanais. Na oficina está exposto parte de sua produção, relíquias com mais de cem anos como teares, demonstrativo sobre o processo de produção, além do mais, podemos ver a tecelagem em funcionamento. 

No local da Igreja Matriz sempre foi um lugar de cerimônias religiosas, primeiramente um templo romano, depois uma pequena igreja antes da ocupação muçulmana frequentadas pelos paleocristãos, em seguida foi uma mesquita, mais adiante uma Igreja na altura da reconquista do território pelos Cavaleiros da Ordem de Santiago em 1238 no século XIII. 

A edificação não sofreu alterações até o século XVI. Nesta época ocorreram algumas reformas que percebemos atualmente o estilo gótico-manuelino. No século XX foram feitas novas obras e encontraram algumas relíquias como o nicho muçulmano atrás do altar, o qual indica a direção de Meca. Curiosamente o altar permaneceu neste sentido, diferentemente das igrejas que estão em frente a porta principal. 

 Há mais de 40 anos de trabalho no campo arqueológico e a Câmara Municipal realizam estudos na região, a zona das escavações na Alcáçova foram identificando por camadas cada período na história: primeiramente pensam que existia um fórum romano, depois um batistério dos primeiros cristãos, relativo ao século V e início do VI; em seguida era um bairro islâmico no século XII e mais tarde com a conquista cristã destruíram o bairro e passou a ser um cemitério, o qual estava na camada mais à superfície.

Em decorrência das descobertas foi construída uma réplica de uma casa islâmica em escala real. As residências eram de diversos tamanhos, mas a tipologia era a mesma, pois cada uma havia um pátio no meio e todos os compartimentos a sua volta, inclusive possuía até latrina no século XII com sistemas de esgotos para fora das muralhas ou outras com fossas na rua. 

Curiosamente não haviam janelas, o fato era para proteger do calor e do frio, como também, a privacidade das mulheres. O lugar delas era no centro da residência onde realizavam suas atividades cotidianas e as entradas em forma de cotovelo não permitiam quem estivesse na rua as vissem.  

Os telhados eram inclinados para dentro do pátio com intuito de aproveitar a água da chuva e na maioria haviam cisternas no centro, também cultivavam ervas aromáticas no local e, ainda hoje, presente na culinária da região. O chão dependia da condição da família: laje, terra batida ou argamassa misturada com almagre, um tipo de argila avermelhada.

Por último fomos ao Castelo de Mértola. Na área sempre houve uma fortificação, na época romana, islâmica e atualmente nos reporta ao século XIII, na altura da reconquista Cristã que D. Sancho II doou a Ordem Militar dos Cavaleiros de Santiago, tornando-se sua sede.

 Posteriormente, remodelaram e construíram a Torre de Menagem, sendo a principal da fortaleza com visão para todos os anglos e uma de suas funções era armazenamento de armas. Em cima da porta há o registo: “Esta torre mandou construir D. João Fernandes, primeiro mestre da Ordem de Portugal em 1292.”

No século XIX foi um período de abandono e depois das obras da Igreja por volta dos anos 40, século XX, foi que iniciaram as obras de restauro. A última foi em 2013, postas duas exposições sobre a história do Castelo e a Ordem de Santiago em Portugal.

Mais um lugar fascinante nestas Terras Lusitanas que nos leva à uma bela viagem no tempo na nossa imaginação e quando voltamos bem a frente de nossos olhos está uma paisagem deslumbrante…