MINA DE SÃO DOMINGOS, Visita de Estudo I…

04/02/2022

Por: Liliana Borges
Foto: Liliana Borges

 

Visita de Estudo é uma das atividades da Universidade Sénior que possibilita aos seus estudantes conhecer determinado local ressaltando sua cultura e história, além de proporcionar um agradável dia de convívio. Na última semana de janeiro como professora da disciplina de “Turismo” fui com meus alunos à Mina de São Domingos e à Mértola. 

A Mina de São Domingos está situada no Alentejo na freguesia de Corte Pinto pertencente ao Concelho de Mértola no Distrito de Beja, a cerca 251 km de Lisboa. Sua exploração nos reporta aos séculos I ao IV por diversos povos como os Fenícios, Cartagineses e Romanos onde foram encontrados vários vestígios.  

A mina foi redescoberta pelo Italiano Nicolau Biava em 1854 e passou novamente a ser explorada em 1858 pela “La Sabina”, a qual arrendou a empresa inglesa “Meson & Bary” que se estendeu até 1965 na altura do esgotamento do minério de cobre, o qual havia em maior quantidade sendo o principal extraído.

 A origem de sua denominação foi relativa a Capela de São Domingos que havia no local, entretanto a padroeira dos mineiros é Santa Bárbara que faziam aposição a Santa na entrada dos túneis.

Na época que a mina estava ativa na região havia cerca de 8000 habitantes entre trabalhadores, familiares, comerciantes e conforme o censo de 2021 a freguesia possui apenas 732 habitantes. Em 1968 a empresa inglesa abriu falência e seus bens retornaram à La Sabina de acordo com o contrato na época vigente.

No período áureo havia muito movimento na vila, aos domingos desfilava uma banda de música pelas ruas até sua atuação no coreto. Para uso exclusivo dos ingleses havia campo de golf, tênis e praticavam críquete, desporto popular na Inglaterra. E ainda, existiam cinema, cineteatro, várias tabernas, campo de futebol com 5 equipes atuantes, porém estes espaços eram acessíveis para toda gente.

Atualmente a estrutura que podemos vislumbrar foi posterior a 1858 após a empresa inglesa atuar na localidade, inclusive o Hotel foi instalado no antigo Palácio da Administração. Nas casas ficaram vivendo alguns descendentes e vários espaços foram transformados em habitações a exemplo do antigo hospital e o mercado.

O empreendimento compreende desde estrutura de alojamentos; Monumento ao Mineiro, posto da polícia privativa que hoje é uma hospedaria; cais do minério, onde abasteciam os vagões; alacate para extração da água e não inundar os túneis; oficinas de eletricistas, carpinteiros entre outros; entrada principal da mina, porém os túneis não são visitáveis por segurança.

E ainda há a quadra, onde guardavam os animais que movimentavam os vagões anterior as locomotivas; central elétrica; balneários dos mineiros que utilizavam após a sair do labor que tinha a oportunidade de tomar banho quente pela proximidade da central elétrica; casa de banho pública e uma graciosa réplica de uma casa do mineiro recheado de móveis e utensílios da época.

O minério era explorado pelo sistema de cortes e no principal espaço de atividade podemos apreciar as diversas camadas na terra e as galerias romanas que existiam, nas proximidades há um lago com águas coloridas conforme a vontade da natureza, onde acumula água da chuva por não funcionar mais o sistema de extração e além de que o terreno é impermeável. 

Curiosamente não era permitido matar os ratos, pois eles eram os primeiros que percebiam as derrocadas, saindo velozmente dos túneis e assim, os mineiros os seguiam. Diz a lenda que como os mortos ingleses não podiam retornar ao seu país traziam areia da Inglaterra para sepultar junto de seus corpos. E, ainda, cabe destacar que a aldeia foi a primeira a ter luz elétrica no país.

Este complexo mineiro está incluído na Zona de Proteção Especial do Vale do Guadiana, como também, foi classificado como Conjunto de Interesse Público desde 2013. Lugar que vale muito visitar, pois em nada parece uma vila decadente e sim um suntuoso espaço repleto de história e cultura ao céu aberto.

Finalizado a manhã após um banho de conhecimentos fomos apreciar a gastronomia portuguesa no “Restaurante Alengarve” em Mértola. Começamos pelas apetitosas entradas seguidas por “Bacalhau à Brás”, “Cozido de Grão à Alentejana” e as tradicionais “Migas”, acompanhados com deliciosos vinhos da região e para finalizar como sobremesa “Bolo de Bolacha” ou “Gelatina ao Creme” e um cafezinho para fechar. Tudo estava delicioso, além, de um atendimento exemplar…

Quanto à Mértola ficará para o próximo artigo…