Colunista compara Lula a Tancredo Neves e aponta isolamento de Bolsonaro

26/01/2022


Foto: brasildefato.com.br

 

Nesta quarta-feira, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, o jornalista Elio Gaspari fez uma análise do cenário político atual, sobretudo no que se refere à tentativa de volta do ex-presidente Lula ao Palácio do Planalto. De acordo com o colunista, as ações do petista se colocando como nome viável para “salvar” o Brasil da crise o colocam em um patamar parecido com o de Tancredo Neves. 

 

Segundo Elio Gaspari, o qual se notabilizou por um pensamento mais conservador, a unidade política articulada por Lula, agregando nomes de legendas contrárias à ideologia petista, o posicionam em uma condição destacada em relação aos seus adversários. "Forte nas pesquisas, acenando com Geraldo Alckmin na vice, buscando conversas com a dissidência tucana, com Marina Silva e com figuras do agronegócio, Lula está um passo à frente de seus adversários que tentam construir uma alternativa à polarização com Bolsonaro. O ex-presidente acredita ter neutralizado as restrições que sua base fazia à marcha em direção ao centro, e mesmo a 'setores da centro-direita'. Aberta essa porta, trará novas surpresas", ressaltou Gaspari.

 

Nesse sentido, o poder de conciliação demonstrado pelo ex-mandatário da nação é um dos pontos de convergência, conforme palavras do colunista, com Tancredo Neves. "Coisa parecida só aconteceu em 1984, quando Tancredo Neves reciclou a frente que pedia eleições diretas, transformando-a num movimento a favor de sua indicação pelo Colégio Eleitoral. A raposa mineira conseguiu um milagre: pela primeira vez na história do Brasil a conciliação partiu da oposição", disse. 

 

No que concerne à disputa presidencial, o colunista da Folha entende que Moro e Dória, integrantes da chamada “terceira via”, estão estagnados, enquanto Jair Bolsonaro encontra-se isolado, principalmente pelas propostas de campanha que não cumpriu e pelo seu negacionismo. "A marcha de Lula para o centro dá-lhe o conforto de contribuir para o isolamento de Bolsonaro. A carta que o conservadorismo nacional tirou da manga em 2018, sonhando com as reformas liberais de Paulo Guedes, está reduzida hoje a um governante que orienta e é orientado pela superstição da cloroquina e pelo receituário do doutor Marcelo Queiroga", declarou.