"Apelativo", afirma juiz após advogado de acusado perguntar se vítima tem ódio de réus da boate Kiss

03/12/2021

Por: Luan Figueredo
Foto: Reprodução
 
O julgamento do incêndio da boate Kiss foi retomado nesta quinta-feira (02), no Foro Central de Porto Alegre. Responderam às perguntas do júri: os sobreviventes da tragédia, Miguel Teixeira, engenheiro que desaconselhou a instalação da espuma como isolante acústico e o DJ Lucas Peranzoni. 
 
Às 11 horas da manhã, Jéssica Rosado, sobrevivente  da tragédia, precisou de atendimento médico após prestar depoimento. O irmão de Jéssica morreu intoxicado ao tentar salvar pessoas dentro da boate. 
 
“Eu vi acontecer, vi quando pegou a faísca, vi quando jogaram uma garrafinha d’água, vi quando pegaram os extintores, até que acho que não tinha como saber o que fazer. Até que eu vi o Marcelo [de Jesus, um dos réus], quando ele botou o microfone no chão e gritou sai”, depõe Rosado. 
 
Depois de intervalo, Jader Marques, advogado de defesa, chama Elissandro Spohr para o centro e pergunta a sobrevivente se "tem ódio" do ex-sócio da Kiss, ao que o juiz Orlando Faccini interrompe e afirma: "considero apelativo e desnecessário". 
 
"Pode ter aquelas vítimas que odeiem efetivamente, é justamente para isso que estamos aqui, para empreender um sistema racional de justiça que, efetivamente, respeitando o ponto de vista das vítimas, equilibre as coisas dentro de balizas legais", argumentou o juiz Faccini ao repreender o advogado.