Eutanásia para casos de pacientes sem doenças terminais. É aceitável?

29/10/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: oglobo.globo.com

 

Na última quarta-feira, a justiça colombiana decretou algo inédito na saúde do país. Um juiz da 20ª vara cível da cidade de Medelin concedeu autorização para que Martha Sepúlveda passasse pelo processo de eutanásia (provocar a morte de uma pessoa antes do previsto pela evolução natural da doença), mesmo ela não possuindo patologia terminal. Se essa medida for confirmada, será o primeiro caso de eutanásia nessas circunstâncias na história do país.

 

Martha, que tem 51 anos, sofre de uma doença degenerativa incurável, denominada esclerose lateral amiotrófica (ELA). O procedimento aconteceria no domingo (10), às 7 horas (horário local), mas foi cancelado pela clínica na qual a mulher está internada, para que a instituição médica pudesse avaliar de forma pormenorizada a especificidade do caso. 

 

“A partir de relatórios atualizados do seu estado de saúde e da evolução da paciente, definimos que não se cumpre o critério de doença terminal que havia sido determinado por um primeiro comitê", ressaltou a clínica.

 

De acordo com Lucas Correa, advogado de Martha, em entrevista à BBC Mundo, a decisão é arbitrária, uma vez que fere o desejo e o direito da paciente de “morrer com dignidade”. "Eles estão a forçando a viver uma vida que ela não deseja continuar vivendo, com sofrimento e uma dor que ela considera incompatíveis com sua ideia de dignidade", declarou.

 

A eutanásia é uma prática legalizada na Colômbia desde 1997. O país, inclusive, foi pioneiro na América do Sul a tornar legal o procedimento. No entanto, a prática era destinada apenas para pacientes que padecessem de doenças terminais. Em outras palavras, trata-se de uma maneira de abreviar o sofrimento da pessoa em uma situação já irreversível, se assim fosse a vontade dela.