Empresário acusa menina de 13 anos de vender maconha e a agride em local público

26/10/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: clickpb.com.br

 

Na última semana, na orla de João Pessoa, o empresário Herbet Maia, dono da construtora Hema, supostamente agrediu uma adolescente de 13 anos que vendia trufas de chocolate. O motivo do suposto ataque foi a acusação por parte do homem que a jovem vendia maconha junto com os doces. Revoltados com a situação, pessoas filmaram a cena e divulgaram nas redes sociais.


Nos vídeos que foram gravados, a menina aparece sentada em um banco rodeada por pessoas indignadas com a suposta atitude do empresário. Uma mulher, que testemunhou o ocorrido, ressalta que a violência aconteceu e que a menina apenas “vendia as suas trufas normalmente”. "Ela está vendendo os docinhos dela. É revoltante", salientou.


A partir de declarações concedidas ao UOL, Herbet Maia nega que tenha agredido a adolescente, além de ratificar seu incômodo com o episódio. Em um confronto de narrativas com uma das pessoas que testemunharam o caso, o empresário afirmou que “não é para criança estar vendendo maconha em local público”, o que foi rapidamente rebatido com um questionamento da testemunha: "Tem prova que ela estava vendendo maconha? Tem que provar!".


O Ministério Público do Trabalho da Paraíba repassou para a Delegacia de Crimes contra a Infância, da Polícia Civil da Paraíba, que a ação do empresário contra a jovem seja investigada pelas autoridades competentes. A defesa da adolescente, encabeçada pela advogada criminalista Ana Beatriz Eufrauzino, relatou que vai entrar com representação contra o investigado pelas supostas práticas dos crimes de calúnia, difamação e lesão corporal simples.


De acordo com a advogada, a menina vive em situação de extrema pobreza com a família e está em um estado de fragilidade emocional devido à humilhação sofrida. "A vítima nos relata que estava no local com sua cestinha de produtos artesanais quando o senhor que aparece nas filmagens a atacou com a bengala, atingindo-lhe a mão que segurava a cestinha, em seguida a abordou aos berros, chamando-a de 'maconheira', 'drogada' e outras agressões verbais, e ainda imputando a ela a prática de venda de drogas no local, o que imediatamente se mostrou inverídico", salientou a advogada da vítima