Na pandemia, Abrace o seu Romance

22/09/2021

Por: Kalina Paiva
 
Quem é você agarrado(a) a um livro: (I) o ser humano largado no sofá; (II) aquela que está debaixo de uma árvore; (III) aquele no ponto de ônibus; (IV) ou a jovem à espera de um atendimento em um consultório? Sendo bem nordestina, sou aquela com um livro e uma almofada dentro de uma rede, não querendo guerra com ninguém. Quatro séculos se passaram e a prosa de ficção segue firme e forte, atravessando o tempo e caindo no colo dos leitores sem precisar de queda de braço.
 
Quer ver? Existem aqueles leitores que estão jogando na cara suas impressões literárias. Diário abertos – para não dizer escancarados! São eles: alunos e alunas do terceiro ano do Ensino Médio – IFRN. O nome da confraria de leitores? @abraceoseuromance
 
Vale a pena dar uma folheada nas páginas do Instagram e do Facebook. São resumos, podcasts, apresentação de personagem favorito, imagens sobre a obra... Essa experiência de leitura veio para valorizar as impressões pessoais dos alunos(as) sobre obras em meio à pandemia.
 
Dando uma olhadinha no passado,  quando surgiu, o romance não foi tão bem-quisto assim. Era uma ameaça à moral e aos bons costumes. Já começava misturando ficção e realidade, de forma que as más línguas garantiam que aquilo confundiria a cabeça dos jovens. Mas os escritores do século XVIII foram aprendendo com as fake news da época: a língua do povo. Daniel Defoe que o diga com o seu Robinson Crusoé. Logo, os romancistas passaram a incluir nessa tensa prosa de ficção alguns ensinamentos edificantes. Vale night! Ascensão à vista. Peço que deixem o Marquês de Sade fora dessa, leitor. Não admira que, para ler uma de suas obras, naquele período, o leitor tinha que compactuar com um mercado ilegal, paralelo. Hoje, você pode ir à Cooperativa Cultural e encontrar Justine sem maiores problemas.
 
Obviamente que, no século seguinte, o apogeu do romance foi diretamente proporcional à sua capacidade de meter o dedo nas feridas abertas da sociedade capitalista. Não reparou nos temas do século XIX? Adultério, homicídio, distinção de classe, adultério, ex-escravos explorados, suicídio e mais adultério... Por trás de tanta objetividade e racionalidade, a ciência bombava, explicando os comportamentos patológicos das pessoas em situações cotidianas. As críticas sociais mais agudas figuravam nas caricaturas.
 
Até que veio o século XX, suspendeu as certezas e subverteu as noções de tempo e espaço. E agora? Crise? Que nada! Kafka apresentou situações insólitas. Proust libertou-se do tempo e da melancolia. Joyce expandiu a capacidade de falar sozinho dentro da obra (o tal monólogo interior!). Só desordeiros das letras no século XX!
 
Contudo, não fosse por eles, o século XXI não estaria experimentando uma reascensão, uma mutação inclusiva com as tantas vozes, antes subalternizadas, publicando e encontrando novos lares nos corações dos leitores. Século XXI é o tempo da representatividade, da literatura que rompe – de forma genuinamente social – com os padrões eurocêntricos. Não termina aqui.
 
“Todo ponto final é um ponto de intermédio.” (Julián Fuks, romancista e crítico)
 
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