Dia do orgulho LGBTQIA+ questiona: O mundo ainda é preconceituoso?

28/06/2021

Por: Otávio Albuquerque
Foto: Reprodução
 
Nesta segunda-feira (28), será comemorado o dia Internacional do Orgulho LGBTQIA + (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Pessoas Intersexo), criado a fim de incitar uma tomada de consciência por parte das pessoas em relação a esses grupos, além de um combate intenso contra a homofobia.
 
Apesar da data comemorativa, o fato é que a inserção social das pessoas que fazem parte da denominação LGBTQIA + ainda está longe de ser um processo simples, na medida em que o preconceito e o reconhecimento da criminalização ainda não foram devidamente constituídos.
 
Em consonância a essa premissa, um estudo feito pelo Instituto Matizes (focada na defesa da equidade social e nos direitos humanos) e pela All Out (Organização não-governamental em nível global), ressalta diversos aspectos que são fundamentais para a manutenção e disseminação da discriminação em torno do universo gay. O diretor da entidade, Leandro Ramos, salienta que a sociedade precisa invariavelmente passar por alterações profundas. “O combate à LGBTfobia certamente é um processo mais amplo e que, de fato, depende de mudanças estruturais. Por exemplo, a superação da cultura sexista tão presente nas forças policiais. No entanto, a maioria das barreiras para que a decisão do STF saia do papel depende mais de vontade política que de questões culturais", declara o dirigente.
 
A fragilidade jurídica, fomentada pela falta de políticas públicas específicas, também se institui como fator de agravamento ao cenário de marginalização, o que impede o andamento preciso e célere na luta contra os crimes praticados contra os indivíduos pertencentes ao LGBTQIA+. 
 
Em relação a essa falha no âmbito jurídico, o responsável pela pesquisa, Arthur Fontgaland, diretor do Instituto Matizes, diz que, a princípio, a ideia era analisar o trâmite processual das denúncias por crimes ligados à homofobia; todavia, os pesquisadores encontraram obstáculos para a realização das pesquisas, sobretudo no que concerne ao acesso e divulgação de dados específicos sobre os delitos. “Na impossibilidade de acessar os dados, pensamos que seria mais proveitoso entender a questão do ponto de vista dos atores institucionais que seriam responsáveis pela efetivação da decisão do STF”