Flávio Bolsonaro esteve presente nas negociações da vacina 1000% mais cara

25/06/2021

Por: Jessyanne Bezerra
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 

Após vexame de adquirir a vacina indiana Covaxin por um valor 1000% maior do que o anunciado pela própria fabricante, revelado pela CPI da Covid-19, as suspeitas de superfaturamento na compra das vacinas aumentam com a nova informação de que Flávio Bolsonaro abriu as portas do BNDES para dono da Precisa, segundo a Veja.

 

A CPI da Pandemia recebeu documentos enviados pelo Ministério das Relações Exteriores que revelam que o valor negociado pelo governo brasileiro para a compra da vacina indiana Covaxin foi 1000% superior ao estimado por executivos da Bharat Biotech, em agosto do ano passado.

 

Porém, os documentos sigilosos também apontaram que o governo federal não negociava a compra das doses diretamente e somente com a farmacêutica Bharat Biotech, mas sim com uma empresa brasileira: a Precisa Medicamentos.

 

No início, ainda no ano passado, as vacinas indianas custavam R$ 6,70. Após negociações tratadas entre a farmacêutica e a Precisa Medicamentos, em fevereiro de 2021, o valor da vacina chegou a ser de R$ 75 por cada dose, sendo 1000% maior do que o valor acordado no ano passado. O presidente da empresa, Francisco Maximiano, foi o responsável por intermediar as negociações e esteve pessoalmente na Índia para realizar as tratativas.

 

O contrato para aquisição da Covaxin é de R$ 1,6 bilhão, com dispensa de licitação, para 20 milhões de doses que ainda não têm prazo de entrega. A negociação com a Astrazeneca, por exemplo, gerou um investimento de R$ 1,9 bilhão para aquisição de 100 milhões de doses e transferência de tecnologia. A vacina inglesa custou um terço do valor da indiana.  

 

Onde Flávio Bolsonaro entra nessa história? 

 

A Veja teve acesso a informações que apontam a presença de Flávio Bolsonaro na negociação das vacinas. Filho mais velho, famoso 01, do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) abriu as portas do governo em pelo menos uma ocasião para Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, empresa que fechou o contrato de venda da vacina indiana Covaxin para o Ministério da Saúde. 

 

Em 13 de outubro de 2020, Flávio Bolsonaro participou de uma videoconferência com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montesano, e com Maximiano, que na época representava a Xis Internet Fibra.

 

No dia 28 de fevereiro, o senador Flávio Bolsonaro comemorou nas redes sociais a compra das 20 milhões de doses da vacina. Cinco dias depois, o filho 01 do presidente comprou uma mansão em Brasília no valor de 6 milhões de reais.

 

A assessoria da BNDS foi procurada e não explicou a razão da presença de Flávio Bolsonaro, até então senador, na reunião de negociação. 

 

A Precisa se tornou alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID no Senado após o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) ter alertado o presidente Jair Bolsonaro sobre indícios de irregularidades na negociação do Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin.

 

Fonte: Contêm dados retirados da Veja, CNN Brasil e Estado de Minas